5.31.2009

Destination...

Creta, Sardenha ou Santorini?

Hoje acordei muito refinado. Apetecia-me assim uma coisita destas, um mar azul de perder de vista,
champagne gelado com frutos silvestres e uns petit canapés de espargos e salmão fumado.

O destino deixo ao vosso critério. Que me dizem?

Lovely head

Goldfrapp, Lovely head

[ It starts in my belly
Then
up to my heart
Into my mouth
I cant keep it shut ]

5.30.2009

Pleurer

Parece que a nossa jovem promessa do ténis, Michelle Brito, apesar de ter perdido na 3ª ronda do famoso torneio Roland Garros, conseguiu irritar fortemente a sua "parvinha" adversária gaulesa com os seus estridentes gritos. Deixa lá Michelle não fiques triste, ainda só tens 16 aninhos e pode ser que a Nike ainda te contrate para um video destes a lembrar a Sharapova, que fazia o mesmo e ninguém se importava.

Duas pessoas

O que faz duas pessoas encontrarem-se? Entre tantas outras, entre tantos caminhos ou lugares? Entre infinitas hipóteses ou probabilidades improváveis?

O que faz duas pessoas gostarem-se sem ser preciso conhecerem-se muito? Por sentirem que nada mudará muito mais. Que nada falta que seja assim realmente tão importante.

O que faz duas pessoas terem essa curiosidade de se repararem? De se exporem sem reservas. Por vezes num acaso. Num acto irreflectido ou não racional. O que faz duas pessoas pararem num mundo em insuportável movimento?


Gosto de andar, mas gosto também muito de parar. Parar quando me apetece. Parar para poder seguir.

5.29.2009

"Gosto-te"

Gosto-te por aquelas proximidades que não interessam saber explicar. Pela curiosidade da descoberta recíproca. Pelo interesse dos pequenos detalhes. Pelas conversas aveludadas. Musicais.

Gosto-te pelo sorriso e pelo sotaque. Pela fluidez dos gestos e das palavras. Soltas. Leves. Perdurando como o sabor de um vinho suave descobrindo os lábios.

Gosto-te porque existes num passado que não chegou a existir, mas que ambos sentimos tactuado. Algures, numa passagem dum poema. Numa nota de rodapé, num canto de um livro.

Gosto-te na decoração dum prato cuidadosamente elaborado. Pelo passar do tempo que nos foge sem se notar. Pelas imagens que surgem e pelos silêncios que não incomodam.

Gosto-te pelas cartas que não te escrevi. Por uma intimidade estranha. Por uma provocação.

Gosto-te pela sedução e pela inocência. Gosto-te porque me fazes pensar. Gosto-te por não saber o verdadeiro porquê. Gosto-te porque sim.

5.28.2009

5.27.2009

Dicionário de uma loira abrasileirada


Abismado - Pessoa que caiu de um abismo.

Assaltante - Um A que salta.

Barracão - Algo que proíbe a entrada de caninos.

Biscoito - Fazer sexo duas vezes.

Caçador - Indivíduo que procura ter dor.

Cleptomaníaco - Mania pelo Eric Clapton.

Coitado - Pessoa vítima de coito.

Contribuir - Ir para algum local com uma tribo de índios.

Conversão - Conversa prolongada.

Coordenada - Que não tem cor.

Democracia - Sistema de governo do inferno.

Detergente - Acto de prender seres humanos.

Determine - Prender a namorada do Mickey Mouse.

Eficiência - Estudo das propriedades da letra F.

Expedidor - Mendigo que mudou de classe social.

Halogéneo - Cumprimento a pessoas muito inteligentes.

Homossexual - Detergente para lavar as partes íntimas.

Luz solar - Sapato que emite luz por baixo.

Ministério - Aparelho de som de dimensões muito reduzidas.

Padrão - Padre muito alto.

Presidiário - Aquele que é preso diariamente.

Pressupor - Pôr um preço em alguma coisa.

Ratificar - Tornar-se um rato.

Regime Militar - Dieta e exercícios feitos pelo Exército.

Testículo - Texto pequeno.

Violentamente - Viu com lentidão.

5.26.2009

I was born to be with you



U2, Magnificent


[ Only love, only love can leave such a mark
But only love, only love unites our hearts ]



Inspirou-me um post a primeira vez que a ouvi, de surpresa. Como um raio inesperado. Passei a viajar nela sempre que a ouço. Sempre, numa viajem de paragens exóticas. Onde o tempo ficou esquecido num olhar profundo. Imóvel, mas duma energia contagiante. Um olhar preso ao teu. Táctil. De olhos-mãos. Um calor de deserto sábio que encontra o fresco sagrado duma mesquita secreta para se saciar. Para libertar um arrepio intenso. Indomável. Uma seda próxima que se cola ao corpo. Num toque físico. Sem nada dizer.

5.25.2009

Iliteracia

Apaixonei-me 
pela escrita 
antes de ti

Imagens ficaram
depois
do que li em ti

Entre os dois momentos
sou um analfabeto
Não sei se morri se nasci
 

5.24.2009

Viver, todos os dias

Correr com a vontade da descoberta. Um chuviscar de músicas. Infinitas. Mil coisas ainda por fazer. Não ter tempo. Andar descalço. Uma carta. A magia do pequeno pormenor. Que já não se usa mas faz toda a diferença. Beijar na alma. Mordido, como se não existissem palavras. Pollaroids dispersas ainda que desfasadas de momentos perfeitos. Sentir a brisa na cara. Saber da nossa pequenez. Tocar com calor. Largar com arrepio. Roubar sorrisos de sol. Mil e um. Sentido de humor. De nós próprios. Abraços apertados. Dar o ombro sem nada dizer. Beber forças na inocência e alegria de uma criança. A dor de certos adeus nas saudades guardadas. Só nossas. Uma bebida de fim de tarde, naquele local secreto, junto ao mar. O mistério de certas pessoas e locais. Um vinho que se abre à lareira. Uma refeição que se prepara com amor. O toque esguio e feminino de um piano de cauda. A cultura do chá. O cheiro a café. A placidez silenciosa do deserto. Livros devorados como fome. Frutos e poesia. Sedução e sensualidade. O entrar num quadro e ficar por lá. O assombro de certos olhares. Uma noite mágica com gotas de luar. A loucura de um impulso incontrolável. Desejo. Sedas. Âncoras de amizade. Faróis que iluminam, rodando sobre nós. Tempestades. O saber envelhecer lentamente. Discrição e saber retirar. A infindável beleza e sonoridade do mar e de certas palavras. O toque das palavras ao ouvido. Gestos lentos e memórias. A densa envolvência do silêncio, como um fumo leve, sorvido, na pele porosa. Surpresas e acasos que não importa saber explicar. Dar, apenas por dar e escutar. Raízes e impossíveis. Jacarandás.  Árvores imponentes num horizonte azul. Infindável. Praias desertas e encontros. Dúvidas e caminhos. Estranhas cumplicidades. Viver. Intensamente. Viver. Todos os dias.

Close your eyes

Apesar de não conhecer o cheiro, gosto dos ambientes e das sonoridades.
Densos. Envolventes. Lentos. Sensuais. Gosto de descobertas.

5.23.2009

O teu frágil perdurar

No quotidiano mover dos lábios transporto o teu sabor. Guardo-o, precioso, numa espécie de fruto sumarento, salgado pelo mar. Por vezes, quase me esqueço que te trago, todos os dias, mas aí, elevas-te, levitando na frágil beleza de certas palavras. 

No quotidiano fechar dos olhos dançam os teus gestos e contornos. Rebentas, algures, por lá. Numa fragilidade despida. Numa espécie de bolha que me salpica em mil cores. Quentes. Coladas. Que te fazem perdurar no sangue, numa brisa do Suez. Num brilho de lua atenta. Presente. Sempre presente, num intranquilo respirar

Escrever


"Escrevo para não me suicidar"

Magrite Duras


Há dias em que a escrita tem muito disso. Dias em que fala mais alto do que o próprio corpo. Em que comanda a mão e nos rapta o pensamento. Dias em que ficamos à sua total mercê. Há dias em que a escrita apenas exige. Uma lucidez crua, que não sabíamos nossa, ou um barco à deriva numa viagem sinistra. Há dias em que a escrita nos confunde os sentidos. Prolonga-os na textura ou dilui-os no branco do papel. Dias onde a tinta se chega a confundir com o sangue. Dias onde a escrita é uma arma letal. Afiada. Sem nada que lhe faça frente. Sem nada que nos faça valer.

5.22.2009

Far away

Bush, 40 Miles from the Sun


[ I need to lose to make it right
I'll
confront the stars tonight
I will babble I will bite
You will never know how much
you shine
40 miles from the sun
]

For K. with Love

Não via a K há muito tempo. K, chamemos-lhe assim. Não via a K ao tempo de já não pensar, ou me lembrar da K. Para aí desde os meus 18 anos, ou seja, há quase esse número de anos. A vida pode dar muitas voltas em 18 anos.

A K foi minha vizinha, anos a fio. Vizinha, e amiga de infância. Amiga de brincadeiras intermináveis. Amiga à distância de um hall de entrada, ora em minha casa, ora em sua casa. Amiga de aniversários. Amiga de ver crescer. Amiga de ficar cheio de mazelas por andar ao supapo para a defender. Amiga.

Ainda me lembro da tara da K em querer ser cabeleireira e de me querer cortar os meus cabelos, cheios de caracóis, à força, e eu a arranjar sempre artimanhas para escapar ileso. Ainda me lembro da mãe da K dizer que seria a minha namorada e eu dizer que éramos só amigos, por já gostar daquela que viria ser a minha primeira namorada no jardim escola. Ainda me lembro do luxo de jogar, mais tarde, PacMan em casa dela, no tempo em que ninguém tinha videojogos, e que o pai da K trazia de Paris. Ainda me lembro das longas noites de Pictionary ou de King com os pais da K, ou das audições de ballet, onde ficava com uma leveza linda, ou das tardes no picadeiro quando começou a participar nas provas de equitação.

A K sempre teve tudo. Tudo a um estalar de dedos, mas sempre fora uma miuda perdida e muito influenciável. Ouve um dia em que os pais decidiram mudar de casa. Mudar de terra, por causa do negócio próspero do pai, e foi assim que me afastei da K. E que fomos perdendo gradualmente o contacto.

Soube, muito mais tarde, que voltara. Mais tarde ainda que o negócio do pai tinha ido à falência. Que os pais se tinham separado. Vi umas duas vezes a mãe da K com os olhos baixos, incomodados, tristes e envergonhados, e o pai como uma sombra vegetal. Um fantasma irrecuperável.

Fui sabendo, de tempos a tempos, coisas tristes da K. Que tinha graves problemas de dependência de drogas. Que passava os dias na rua com muito más companhias e vivia com a mãe. Que custava olhar para ela. Que estivera num tratamento em Espanha e engordara imenso. Que engravidara dum pai desconhecido. Que abortara. Coisas terríveis, mas nunca mais vira pessoalmente a K.

Há pouco tempo, quando regressava a casa cruzei-me com uma rapariga pálida mas morena. Frágil, disforme, que me chamou pelo nome. Só conheci a K após longos segundos. Segundos, que me pareceram horas, até encontrar uns olhos familiares a dançar ballet. Dei-lhe dois ternos beijos, comovido, quase não querendo acreditar no que via e perguntei “Que é feito de ti”. Começou a chorar. Perguntou com uma voz rouca e arrastada: “ainda te lembras de mim? Lembras-te…? Sabes? Não imaginas há quanto tempo não me davam dois beijos e perguntavam por mim”…

5.21.2009

Nonsense


Há coisas que demoram apenas dois segundos 
e conseguem mudar uma vida toda

O avesso das coisas

Gosto de algumas fotos como se sempre tivessem feito parte de mim.
Como se as tivesse vivido. Inexplicavelmente. Sem saber, muito bem, porquê.
Gosto de algumas fotos pelo que espelham e pelo avesso. 
Mais além do que nelas se vê.

5.20.2009

Chefe


Lisboa - Referência: 679 (M / F)

Requisitos

1. Não fazer azelhices ao volante e dizer que os outros é que têm a culpa (e ainda por cima apitar). É que, basta usar o senso comum para perceber que normalmente quando muitos parecem estar equivocados normalmente somos nós que estamos.

2. Não repetir a mesma coisa constantemente e interminavelmente (sobretudo no mesmo dia) – sugere-se o visionamento da personagem
Michele do Alô Alô

3. Não chamar uma pessoa (por sinal com muito que fazer) à sua sala para discutir um tema e depois interromper constantemente com conversas de "chacha" intermináveis  (e completamente desnecessárias) ao telemóvel.

4. Não convocar reuniões (sobretudo não programadas) às 19h00 para discutir o sexo dos anjos só para lixar a hora de saída devido ao facto de não ter vida pessoal e não lhe apetecer ir para casa.

5. Não ficar sentida por lhe dizerem o que realmente pensam e criticarem o que não acham correcto ou aceitável.

6. Não repreender em público (porque se vier a acontecer comigo a coisa vai azedar) e não ficar extremamente ofendida pelo facto de lhe dizerem que pode sempre fazer criticas mas em privado e, quando o fizer, devem ser com casos concretos ou factos e não apenas por sensibilidades ou analogias a outras pessoas.

7. Não exigir trabalhos de urgência para depois nem sequer os ler.

8. Não querer descobrir um caminho novo (que tem a certeza que também dá) quando lhe garantem que não dá (sobretudo se for à hora de ponta no centro do Porto).

9. Não telefonar para saber algo (que poderia esperar) durante a hora de almoço.

10. Não pedir aos outros para tratarem de assuntos pessoais, ou que nada lhes dizem respeito, por serem questões inconvenientes ou de profunda indelicadeza.

11. Não criticar um estilo de condução mais “desportivo”, e depois conduzir com telemóvel sempre ligado, não se lembrar que convém ir aumentando as mudanças ou deixar de subir passeios quando se entra nos parques de estacionamento.

12. Falar directamente com a pessoa de quem quer saber algo, não envolvendo uma terceira, gerando quase sempre, triangulações evitáveis, confusas e férteis em mal entendidos.

13. Saber que existe uma coisa chamada agenda electrónica e (imagine-se!!!) que pode ser partilhada.  Se for, de todo, impossível usar pelo menos uma tradicional (que já é um primeiro passo).

14. Não prolongar as reuniões à hora de almoço, ainda por cima no restaurante que diz ser excelente (e por acaso, mas só por acaso, não é) e ainda pensar que lhe ficamos eternamente agradecidos.

15. Não referir nas reuniões com clientes que onde se almoça mesmo bem é no tal restaurante mencionado, só para não embaraçar os colegas.

16. Não nos deixar no hotel, depois de um dia cansativo, e ainda nos fazer acompanha-la para tratar de assuntos pessoais.

17. Rever certos conceitos, como a indelicadeza para com pessoas humildes (que apenas estão a trabalhar e não lhe dependem hierarquicamente), o ridículo de certas barbaridades proferidas e a noção de que o seu ego e status se calhar não são assim tão elevados como quer parecer crer.

18. Conseguir manter uma estratégia definida, pelo menos... uma semana e evitar (pronto!!! reduzir) o “faz o que eu digo não faças o que eu faço”.

19. Pode ser saloia ou tia, mas terá de fazer uma opção (por manifesta incompatibilidade dos dois estilos).

20. Não utilizar perfume (sobretudo aliado a laca) em viagens de carro (mais grave ainda quando parece existir uma competição com as restantes colegas).

21. Não criticar os colegas à minha frente sem eles estarem presentes, mesmo após já lhe ter pedido para não o fazer.

22. Não se auto-elogiar da qualidade irrepreensível dos seus trabalhados, dando-os (não como base, mas como bíblia sagrada e intocável) e depois criticar o que lá está com o argumento de que (quando confrontada) foi feito há muito tempo e as coisas mudam.

23. Não tomar suposições por certezas quando não se esteve presente.

24. Ter sentido de humor, ou pelo menos saber sorrir.

E pronto. Apesar de cansado, acho que não é pedir demais...


Por razões de confidencialidade e risco (ou dádiva) de despedimento o anunciante é omisso. As candidaturas podem ser enviadas para este apartado, preferencialmente manuscritas a aparo, lacradas e com fotografia sépia (sou um purista, perdoem-me), contendo uma parte do corpo que considerem de elevada sensualidade (para o caso de manterem algum dos defeitos poder ter uma atenuante). 

Serão contactadas nesta ou numa próxima encarnação. Mesmo não sendo a eleita, informa-se, que teremos a delicadeza de enviar um pombo correio ou um sinal de fumo. No caso do pombo, apenas se solicita que, a ser confeccionado, lhe dediquem a merecida atenção não esquecendo a apresentação do prato e o acompanhamento por um vinho de qualidade (de preferência nacional). No caso do sinal de fumo nada se solicita, com excepção das possíveis Pocahontas (às quais se apresentam, desde já, as desculpas pelo uso de meio, para si tão curriqueiro) ou às fumadoras compulsivas, às quais se solicita apenas que não inspirem totalmente sob pena de inviabilizarem futuras comunicações. 

Com os melhores cumprimentos,Michael Page International

Yes you are

James, She's a star

[ Whenever she's feeling empty
Whenever she's
feeling insecure

Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore
Her shadow is always with her

Her shadow will always keep her small
So frighten that he wont lover her
She builds up a wall
]

5.19.2009

Fadiga

- Pronto, é oficial! Acho que ando a sofrer de Alfa-Lag
- Alfa-Lag???
- Sim! É uma espécie de Jet-Lag (mantendo-se a ausência do sono em dia) mas com Alfa Pendular

Blackberry

Sabem o que é que uma amora sofisticada diz quando engraça 
com uma amora conversadora ?

Blackberry-me

5.18.2009

Invento

Deponho
suponho e descrevo
a pulso

subindo pela fímbria
do despido

Porque nada é verdade
se eu invento
o avesso daquilo que é vestido

Maria Teresa Horta

Amar... sempre


"Quando amamos ficamos expostos"
... Mas não interessa nada


retirado daqui

Machismos e Melancias


Há pessoas simplesmente más. Pessoas que não conseguem entender a inocência dum pedido ou de certas brincadeiras. Pessoas para quem apenas existem fatalidades, farsas e duplos sentidos. Pessoas que vêm os copos sempre meios vazios mas nunca meios cheios. Pessoas que se refugiam sempre nas generalizações fáceis. Por vezes nem sequer sentidas, apenas ouvidas, num lado qualquer. Prontas a arremessar. Pessoas que nunca encaram a excepção. Por mais improvável. Por mais impossível. Pessoas que não conseguem elogiar nada, nem criticar sem ser pela ofensa barata. Pessoas que falam, a maioria das vezes, sem saber do que falam. Há pessoas que não conhecem a inocência e o poder dos afectos sem um segundo sentido. O poder de fazer amizades sinceras sem terem de ir para baixo dos lençóis. Que não alcançam o humor, mesmo que mais subtil ou mordaz. Que não entendem o jogo onde só entra quem quer participar. Há pessoas que gostam simplesmente de magoar por magoar. De dizer mal ou desdizer. Pessoas que apenas gostam de destruir mas nada erguem, nada constroem. Pessoas que vêm sempre o lado mau. Há pessoas que assentam a sua virilidade no ataque. Na sua pose machista. Que me impressiona não tanto nos mais velhos mas sobretudo nos mais novos. Pessoas que (ainda) dizem, alto e bom som, que “mulher boa e melancia grande ninguém come sozinho”. Pessoas que até teriam uma certa graça, não fosse mesmo, o que dizem, verdadeiro.

Porque me incomodou, não por mim, mas por quem me lê (e que eu respeito muito). E na minha casa, ainda, mando eu. 

5.17.2009

Viagem

Nunca me soube tão bem um cigarro. O pátio aluado. Alheado de tudo. De todos. De mim próprio. Imagens que surgem em catadupa. Passadas. Presentes. Futuras. Danças e fumos inconstantes. A cada inspirar. Lento. Fundo. Viagens. A vida é feita de pequenos nadas. E, por vezes, em certos momentos ligam-se acontecimentos difusos. Distantes. Quase imperceptíveis até então. Amo tantas pessoas. Tantas coisas, ao mesmo tempo. Tempos paralelos. Tempos, que por vezes não parecem meus. Não sou a mesma pessoa que fui. É isso que faz, também, uma viagem…

Perspectivas ou o desafio espelhado

Numa das primeiras formações que tive, no já longínquo início de carreira profissional, fiz um pequeno jogo que achei curioso e que nunca esqueci. Foi uma formação longa e, logo na primeira sessão, antes de conhecermos qualquer dos elementos do grupo, apresentámo-nos individualmente (de forma muito breve. Sucinta), e cada um escreveu num pequeno papel uma descrição sumária dos principais traços da personalidade que cada um dos participantes nos suscitava. 

Esses papeis foram religiosamente guardados para serem revelados apenas no final da formação, que durou cerca de 4 meses num regime bastante intensivo, permitindo, consequentemente, um relativo bom conhecimento dos elementos do grupo (ninguem se conhece completamente). Cada um leu depois o que escreveram sobre de si. 

Este simples e curioso jogo permite perceber as grandes diferenças que podem existir da ideia pré-formada duma imagem inicial ou primeira impressão (quantas vezes errada). Mas não só. Permite também aferir que, muitas vezes, a imagem que temos de nós próprios nem sempre é percepcionada da mesma forma pelas pessoas com as quais interagimos. Por vezes, até com as mais próximas. As mais chegadas.

Este pequeno episódio, que partilho, fez-me pensar nos que me acompanham por estas bandas: alguns muito recentemente, outros fiéis seguidores, de longa data. Alguns que conheço mal, outros que conheço já o suficiente (alguns até - poucos- que tive o prazer de conhecer pessoalmente). Fez-me pensar na questão: Como me vêm? O que transmito para os outros? Será que me vêm de uma maneira muito diferente de como me sinto? De como me vejo? De como gostava que me vissem?

Gostava assim, que aceitassem o desafio de escrever umas linhas (ou adjectivos) sobre o que vos transmito. Quais os mais vincados traços de personalidade que vos faço passar. 

Notem que não pretendo um exercício narcísico ou de elevação do ego, antes pelo contrário, gostava de sinceridade e crueza absoluta. E, não gostando, por ai além de desafios, gostava, desta vez, que o pudessem fazer.

É este o desafio que vos lanço. É este o desafio que talvez gostassem de vos fazer a vós próprios. Fica o desafio...

5.16.2009

Two more years

Bloc Party, Two more years

[ Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years so hold on ]

Para uma menina que gosto de ler, porque já passou. Porque há-de passar. Porque tudo passa .)

Curso culinário 1

Chicken in the basket


Era para ter sido hoje, mas como houve uma desistência*, teve de ficar para outro dia. No entanto, e para evitar futuras desistências, providenciou-se um curso introdutório: simples, rápido e à distância. Aceitam-se inscrições mas não se vai ao domicílio .)


* causa percepcionada e altamente justificável

5.15.2009

Juntos, na escuridão

Fiz-me escuridão para te cobrir a pele
Tocar-te, por inteiro. Para além do que os olhos vêm
Fiz-me escuridão para te iluminar os sentidos. 
Acesos, com lábios molhados e silêncios assombrosos. 
Fiz-me escuridão para sermos o calor dum abraço 
Arrepio eterno. Lento. Magnético. 
Fiz-me escuridão para nos perdermos e acharmos. Algures. 
Num tempo sem tempo. Num desejo volátil.
Fiz-me escuridão para ti.
Para amanhecer-mos juntos. Juntos, na escuridão.

Orgulho em estilhaços

Os novos 7 pecados mortais: Orgulho


A boca seca sem ir ao ribeiro, que continua a correr. Tão perto e tão longe, ao mesmo tempo. Um cume inóspito. Inacessível. À distância de um passo que não se dá. À distância de uma campainha que toca e não se atende. Até esmorecer e deixar de tocar. O ribeiro a correr. Ouves? Por baixo de uma camada de gelo. Translúcida. Que permite ver e ouvir mas não se quebra. Um fantasma branco, de vento revolto. Preso de movimentos. Uma dor engasgada. Que se come com pão, para ajudar a descer. Para se diluir, algures, nessa gruta interior onde só os pingos ecoam. Sós.

Os novos pecados mortais: Flirt em Andrómeda-News 

5.14.2009

Canibalismo

- Sabes que descobriram um canibal vegetariano?
- Não pode ser! 
- É verdade! Só come plantas dos pés, raízes dos cabelos e tomates!

5.13.2009

Saudade é...



Mário Quintana

Trolhas


Três trolhas vão à praia pela primeira vez.
Diz o primeiro: Eh pá... tanta água!
Diz o segunto: Eh pá... tanta areia!
Diz logo o terceiro: Eh lá...vamos mas é embora daqui antes que apareça o cimento...

Ycatu

E assim vou
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.

Olga Savary

*Do tupi: água boa

Imobilidade

Permanecia imóvel. Respirando. Cansando os olhos atentos. Sentindo o sangue, em viagem. A mando de algo. De alguém. Para além da vontade. Preso a si próprio. Na estranheza do que não se comanda. 

O cansaço a ocupar-lhe todos os espaços. A conquistar território. Como uma droga, a alastrar caminho. Um cansaço a cair como um nevoeiro cerrado. Líquido. A encher o corpo estanque. A alma fechada, sem fuga possível. Sem resistir. Podia escapar tão facilmente. Mas não apetecia. Permanecia imóvel, olhando a estaticidade das coisas. O eco. O vazio da matéria.

O tédio de tudo ter feito. De tudo ter podido fazer. Nunca suficiente ou apaziguador. A alegria das coisas simples, intensas mas sempre fugazes. A sensação insuportável de nada desejar. A ausência de algo que sempre faltava. Que sempre lhe faltaria. Seria tão fácil se o soubesse. 

A solidão entre uma multidão de caras. Um mundo cada vez mais distante. O afastar do outrora próximo. Pessoa a pessoa. Lugar a lugar. Uma amarra que se soltara. Irrecuperável. Um barco à deriva.

Permanecia imóvel. Abandonando esperas e equivocos. Todos se enganam, a dado momento, com frases feitas. Os outros. Os próprios. Com mais ou menos conforto. Com mais ou menos alentos ou laivos de fé. Falsas esperanças. Mentiras.

Permanecia imóvel partindo numa música ou com um pássaro da janela. Surgia-lhe uma frase do nada "Partir para onde?", rebentando-lhe a bolha onde levitara por ténues momentos. Regressava. Para quê? Se nada chama. Se nada se deseja. E o cansaço incansável. Impiedoso. A ganhar corpo ao próprio corpo.

Não resistia. Imóvel. Com uma sonolência a invadir-lhe a pele. Sorria-lhe, para dentro, sem um sorriso. Talvez a dar-lhe as boas vindas. Consciente da partida. Próxima. Reconfortante.

Permanecia imóvel esvaziando o tempo. Podendo ainda mudar o rumo. À distância de um simples desejo que tardava em não querer aparecer. Talvez por o saber não duradouro. Não suficiente. 

Não esperava já nada. Nada. Ninguém. Perdera o interesse de tudo. Até da surpresa. Apaixonara-se facilmente demais. Pelas pessoas. Pelas coisas. O que lhe tornava insuportável vê-las morrer nas suas mãos. Nesse prazo de validade que sempre o atraiçoava.

Andava no mundo arranstando-se. Prestando atenção em coisas frágeis. Fugazes. Tocando-as e sendo tocado por elas. Coisas que padeciam sempre. 

Não gostava de despedidas. Estava cansado. Os olhos atentos fecharam-se, finalmente numa imobilidade de campos de trigo, já não presenciando o estilhaçar do frasco agarrado e um saltirar redondo de ritmo colorido, que o tempo fez o favor de também silenciar. 

5.12.2009

Fight Club

À seguinte frase, que infelizmente tenho sentido demasiadas vezes, ultimamente

"A morte é de certa maneira uma impossibilidade, que de repente se torna realidade"

Johann Goethe 

Respondo frequentemente com esta outra

"Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo"

Carlos Drumond de Andrade


Cada vez detesto mais certas injustiças mas nunca acreditarei em impossíveis.

Que árvore é esta? ou como apanhar um bajulador idiota?

- Já viu esta árvore fantástica? Sabe que árvore é?

- Sim sim que grande árvore... Soberba! Imponente! É... é... (em aflição)

- Uma figueira

- Exacto, estava-me a faltar o nome... Adoro figos! Tinha imensos na terra dos meus pais.

- Ah sim? Mas já viu bem que esta não tem nenhum?

- Humm ... pois... Deve ser do clima ou... de não ser o tempo deles. De facto não os estou a ver.

- Pois, meu caro. É de facto um belíssima árvore. Mas um sobreiro.

 

Ando sem paciência nenhuma para bajuladores descarados e para quem fala do que não sabe só porque acha que deve estar sempre a falar

5.10.2009

Ao avesso


Tenho a memória virada do avesso... Lembro-me de coisas futuras


Adaptado de um excerto do Pedro Paixão

O interior dos espelhos

Gosto de espelhos venezianos e dos reflexos da tua dança que neles passou a habitar. Uma flamenca luta interior, que presinto. Que se alojou no ouvido atento. O bater dos teus saltos, de noite. Ora próximos. Ora distantes. Presentes como uma sombra pairando. Ocupando os espaços.

O teu andar, a estilhaçar os olhares que te fazem. A afasta-los a todos. Na distância felina de não te deixares alcançar. Todos. Menos o meu. Quando te olho vejo-te por inteiro. Sem máscaras. Nítida. Próxima. Numa gôndola que sempre te traz para perto. Perto demais. 

Suave mistério, o que nos ligou. Guardo-te no interior dos espelhos. Nos venezianos, que são os mais charmosos para te guardar.

5.09.2009

Comunismos blogosféricos

Que há sujeitos que têm o dito ligeiramente mais inclinado para um dos lados eu sempre ouvi dizer que é normal, agora alguém me sabe explicar porque é que o blogger começou com a enervante mania de alinhar os videos (desde que com texto por baixo) ao lado esquerdo?  

Weekend



Os Pontos Negros, Conto de fadas de Sintra a Lisboa


Porque o fim-de-semana bateu finalmente à porta...
Porque é sempre bom apoiar a música portuguesa...
Porque as fadas escasseiam e há quem prefira as bruxas más...
Porque um ponto negro pode ser um sinal...
Porque adoro Sintra e Lisboa...
e porque me apetece boa disposição...

Façam o favorzito de se divertirem e não se aleijarem .)

XinXin

5.08.2009

Claridade

O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luis Peixoto

Holst



Gustav Holst, The Planets - Vénus


O meu é Neptuno. Na tua dúvida, o teu passa a ser Vénus. Pelo menos por hoje .)

5.07.2009

Pequenas diferenças

Não sou, de todo, uma pessoa invejosa ou até muito materialista, mas isto de terminar um dia lixado, com uma reunião, e saber que, só o fringe benefit do plafond mensal do cartão de crédito (para despesas pessoais),  do dito senhor, é superior ao nosso vencimento é, no mínimo, um bocadito pró deprimente. Já não faço mais nada hoje. Pronto!

Um leve mosto de ti



És um vinho decantado
aroma antigo frutado
És um cálice delicado
de frágil brilho Aluado

És sangue quente
Torpor Espesso Presente
És o sabor que perdura
Noite Asa Pintura 

És o que se vê e o que cega
Um ondular que embriaga
És a degustação da tentação
Mosto Néctar Sedução

5.06.2009

LoveCat's




Uma prenda para uma "munina" com uma gatita cheia de personalidade .)

Entre ti

Entre os teus lábios 
é que a loucura acode, 
desce à garganta, 
invade a água. 

No teu peito 
é que o pólen do fogo 
se junta à nascente, 
alastra na sombra. 

Eugénio de Andrade

5.05.2009

Gripe A

Sabem qual a primeira coisa a fazer para desdramatizar a gripe A? 
Começar a chama-la por gripe dos 3 porquinhos*


* expressão deliciosa que tomei de empréstimo daqui

Incomoda(-me)

Incomodam-me as pessoas que apenas vêm os defeitos. Que falam, mas têm dificuldade em ouvir ou de parar um pouco. Que não conseguem conviver com a ideia de poderem existir pontos de vista ou estados de alma diferentes dos seus, mesmo que não concordem. Pessoas que percebam que esse facto não têm de ter outros sentidos ou interpretações que extravasem daí. Pessoas que deduzem, sem permitir contrapor. Sem ouvir a resposta ou opinião divergente. Que já estão a "ver o filme todo" mesmo antes de existir qualquer um. Que nunca se enganam. Que têm a verdade sempre na ponta da língua. Absoluta. Imutável. Transparente. Quantas verdades existem ou subsistem nesse estado puro? 

Incomodam-me as pessoas que guardam o que sentem e se calam à espera do momento para passar ao ataque. Que não respondem ao "que se passa" por acharem que temos sempre que perceber tudo. E que à primeira oportunidade arremessam a tal pedra guardada. Numa espécie de "cá se fazem cá se pagam". 

Incomodam-me as pessoas que não sabem perdoar. Com orgulhos exacerbados, que nunca levam a lado nenhum. Pessoas que nunca dão o braço a torcer. Pessoas para quem só existe preto ou branco, nunca paletas de cores intermédias. 

Incomodam-me pessoas que cobram afectos, que comparam o incomparável, que não escolhem o momento ou local para tentar esclarecer o que se passou. Que não entendam que tal só pode ser feito com tempo e olhares. 

Incomodam-me, sobretudo, as pessoas que ficam em silêncio. Na indiferença de que o tempo tudo resolverá e acalmará. Incomodam-me apenas todas essas pessoas. Não as censuro ou afasto. Cada um é como é. Não as trato de maneira diferente ou lhes quero mal. Incomodam-me simplesmente. 

Incomodam-me mais quando são chegadas. Quando julgava que me conheciam bem para perceber como penso. Incomodam-me e digo-lhes sem qualquer problema ou pudor. E depois passa. Pois tudo sempre passa. Com mais ou menos incómodo.

Incomodaste-me, também, mas estas linhas não são para ti. São gerais e não é este o local para o esclarecer

Um incêndio que nos afoga

Fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga. 

José Luis Peixoto

Assíduos do shaker

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