12.25.2010

All you need is now


[Duran Duran, All you need is now]


Querer aprisionar o mundo numa fotografia, para lhe sorver e conservar intactas todas as subtilezas e pequenos nadas invisíveis ao nosso tempo. Olha-las à distância e acariciar-lhes os cabelos infinitos. Trazer-lhe as sombras outrora ocultas no bolso das calças e puxá-las ao calor do dia numa nova luz. Observá-lo como quem trinca uma fruta sumarenta, sedosa e escorrida. Absorver-lhe o líquido que não é água nem sangue mas se mistura com o corpo - matéria invisível contida num olhar ou gesto apagado. Avivado dum nada que sempre caminhou ao nosso lado, destapando um cheiro ou uma imagem. Viver o momento intensamente, em todos os lugares e um dia, quem sabe, talvez regressar.


Já não escrevia há muito tempo. Já não ouvia estes meninos há muito também.

12.15.2010

Ho Ho Ho [versão digital]



Sei que ando quase sem tempo para nada
Sei que tenho vindo muito pouco a estas bandas
Sei que ligo pouco à época natalícia
mas também sei que não queria deixar de desejar a todos umas boas festas

12.12.2010

Cada vez gosto mais do Porto

[Rota do chá, Porto]


Cada vez gosto mais do Porto, das suas gentes e dos seus locais.
Sempre descubro novos cantos e encantos, sempre me sabe a pouco, sempre prometo voltar.

12.05.2010

Luna Pena


Saborear as palavras num som de outra rotação, quebrando estilos, quebrando regras, esbatendo as fronteiras dos estilos musicais

11.11.2010

Oração

Escuta os arrepios do corpo e o balançar da ondulação
Envelhece sem a pressa de partir mas na vontade do dia que se segue
Pesa a beleza das palavra nos ecos mais simples, destapados ao silêncio
Respira fundo até teres a lua dentro de ti e mia-lhe baixinho com o calor das mãos
Nada despido de preconceitos
Pensa por ti e pensa nos outros
Ama, entrega-te e faz sorrir
Aperta o passado ao futuro para seres brindado por momentos irrepetíveis
Abraça com a força com que te dás
Agradece o saber da idade e o poder da loucura
Dorme de bem com a consciência
Apaga a luz mas mantêm-te sempre aceso para o mundo

10.28.2010

Abro os olhos

abro os olhos e desperto o dia. crio
a explosão do sol cheio sobre
mim. arranco-me à terra que
na noite me lançou raízes
e sacudo-me.
separo os braços, abro
o vento com as unhas. imagino
um voo firme. cumpro o
corpo e outras grandes
mentiras

Valter Hugo Mãe

10.26.2010

Sinto muito

O telefone móvel imobilizado, na senhorinha, vibrando preso ao silêncio do quarto, piscando no escuro sem conseguir libertar as vozes sentidas do que nunca se espera, aconchegando na sua mudez mensagens aflitas de nada saberem dizer pela palavra. A mãe de Júlia morreu e a noite foi mais lenta e mais fria.

[um abraço muito forte e um pequeno beijo na testa]

10.15.2010

Cumplicidades

Um "Eu" nunca existe só, sem um "Outros". Por isso, sou também muito daquilo que leio, daquilo que ouço, daquilo que vejo e observo por onde passo. Sempre serei cúmplice do mundo e do acaso, e em mim sempre existirão "Outros" que se diluem e me passam a correr no sangue e a fazer um bocadinho mais do "Eu", um bocadinho mais de mim.

10.07.2010

Beginning workout


The Strokes, Heart in a Cage


beginning workout. respira. outra vez, mais uma. sente o céu, o rio, a liberdade. corre até não poderes mais. deixa a chuva tocar a tua pele, misturar-se com o teu suor, apaziguar por momentos o palpitar do coração, o pulsar do sangue. morde a paisagem com os olhos, toca as árvores sem as tocares e deixa voar os pensamentos. testa os teus limites. descobre novos lugares. respira. outra vez, mais uma. corre com a música que te invade o corpo. corre até à lua e volta outra vez. corre contra o dia que passou e pelo dia que há-de vir. Vicia-te. Sê o teu melhor inimigo. Solta o coração da jaula do teu corpo e corre. corre até não poderes mais. workout completed.

10.05.2010

Crescer

Crescer,
no sábio vaguear d'uma árvore
para que dos meus ramos de silencio
ecoem frutos bravos
vermelhos de sumo e de sol
Onde, quem os quiser colher
tenha em si a vontade de morder por dentro
e de partir no cantar dos pássaros
Onde, quem vier sinta o conforto
de poder adormecer à sua sombra

10.04.2010

Vespa [velhinha]

Continuo com muita vontade de uma coisinha destas [velhinha, velhinha, velhinha] para restaurar e, já agora, para conjugar devidamente com uma coisinha destas

10.02.2010

De Espanha...

Acho mesmo indecente uma pessoa pedir um simples pão com qualquer coisa, aqui em Espanha, e estes tipos responderem-lhe sempre com um "espera aí un bocadilho". Lá diz o ditado!

10.01.2010

Just do it


The Killers, Shadowplay


Retomados os treinos para mais uma corrida do tejo da nike [sempre acompanhado de música que não me deixe indiferente] ficou esta, hoje, a ecoar no ouvido.
Já agora, alguém mais vai estar presente?

9.29.2010

O teu nome


Muse, Exogenesis Symphony Pt 1 - Overture


A noite cai, baixinho, à hora do costume
vestida de poema, com asas de nevoeiro
E uma lua altiva despenteia harpejos de lume
sussurrando o teu nome, tão certeiro

9.28.2010

Se

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andersen

9.27.2010

Agradecer

Agradecer o que se tem - não forçosamente tudo - o essencial.
Agradecer o que se teve e se guardou fundo e precioso, na película mais fina e delicada.
Agradecer o que se pode ainda ter: os trambulhões, os recomeços, as surpresas e os impossíveis, as coisas mágicas e as mais simples.
Agradecer o ontem, o hoje e o amanhã.
Agradecer a vida.
Agradecer o tempo.
Agradecer o que nos toca e o que nos fica.
Agradecer o que sempre nos vai acompanhar.
Agradecer o que somos.
Agradecer o que podemos ser.


9.20.2010

Night beach


Tindersticks, All the love


Tocam-me as ondas e a brisa noturna.
A lua acendendo velas estreladas, dançando nua por entre sombras azuis.
Toca-me o peso da beleza e a brevidade dos gestos - os corpos deitados.
Toca-me o calor das tuas mãos como uma fogueira lenta numa noite que fizemos sem fim.

9.19.2010

O avesso da voz

sofro o fio que o
cabelo alinha no chão. a
noite que vem comer a luz
ao dia. minha voz
superior. deus certamente
corrige meus olhos. vejo o
frio, a paralisia do
vento. e preocupo-me
lentamente. um estar vivo
sem qualquer obrigação. vou
dizendo o escuro pormenorizadamente

Valter Hugo Mãe

9.17.2010

Suspiro...


Dolce & Gabbana Martini Gold add
interview with Monica Belluci


Gosto do que vejo, mas mais ainda do que ouço

9.16.2010

Será desta?


Placebo, English Summer Rain


Apesar de não gostar do coliseu gostava muito de ir ver estes meninos no dia 7 Outubro. Vamos lá ver se é desta que os vejo ao vivo.

9.15.2010

Era sempre assim

Trazia-a sempre consigo, colada ao interior da pele. Quando tinha de a deixar doía-lhe baixinho uma maré e entregava-lhe as anémonas do seu corpo, suspensas num azul antigo, até ao regresso das suas mãos. Quando se encontravam beijavam-se muitas vezes e tocavam-se como na primeira vez. Era sempre assim. Sempre, assim.

9.07.2010

Prestoadagiato*

Liszt, "Totentanz" by Valentina Lisitsa


Toca-me e não digas nada. Toca-me apenas, assim, com mãos de piano e ouvidos de arrepio. Tenho no peito as escalas para subires aos cumes do meu mundo e claves de sol no meu abraço apertado. Desertos de pele e gritos de tempestade. Notas de ébano e marfim, para desembrulhar contigo, noite e dia. Por isso toca-me e dança encostado a mim e ao céu estrelado nesta música de água morna.

* escrito no feminino

Compromisso

O meu compromisso não é com a memória
com os pedaços de pele
que deixei na boca dos cães
com a inquietação das ondas
que me temperaram de sal e tempestade

O meu compromisso não é com o riso
nem com os gritos nem com as lágrimas
O meu compromisso não é com os olhares
com os murmúrio com o vento

O meu compromisso não é contigo
por mais que eu te ame
e sejas o voo da minha liberdade

O meu compromisso místico e solene
é com o corpo exacto fugidio sedutor
equívoco imperativo do não dito

O meu compromisso
é com as palavras.

Rosa Lobato Faria

8.30.2010

Viajar

Desde sempre, gosto de fotografar com uma mão, conduzir com a outra e virar o cabelo com a terceira

Jean Loup Sieff

8.28.2010

Tu, antes de te conhecer

O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luis Peixoto

8.26.2010

A primeira pessoa

Há muito tempo que não escrevia na primeira pessoa. Talvez por existirem quase sempre muitas pessoas à frente, remetendo a "primeira" para uma espécie de observador sentado numa núvem [narrador atento, eterno suplente], só descendo numa emergência ou aflição.

Quando se conhece bem uma pessoa, ela é também muito aquilo que não precisa de dizer. Muito do que observa e absorve e lhe passa a correr no sangue, muito do que guarda em fotografias de película fina entornadas um pouco no olhar, muito do que faz sentir, sem necessidade de escritos ou de qualquer palavra.

Há muito tempo que não escrevia na primeira pessoa e não sabia mesmo se o voltaria a fazer por aqui. Não por decoro ou reserva, receio ou modéstia, talvez apenas por saber da fragilidade das palavras e dos ouvidos das pessoas, que tantas vezes criam ou tomam para si sentidos que nunca existiram, lá está, na tal "primeira" pessoa.

8.20.2010

Ele há coisas fantásticas


Completamente maravilhado com o que um MAC + garage band + teclado e boas colunas podem fazer. Quase, quase a este nível

6.25.2010

Infinito fim


Toranja, Fim

A mercearia de bairro encerrou [ou faz, talvez, uma pausa prolongada].
A todos o meu sincero obrigado e até um destes dias [por aqui ou, algures, por aí...]

6.24.2010

Assim é a poesia

Não sei onde acordei, a luz perde-se ao fundo do corredor, longo, longo, com quartos dos dois lados, um deles é o teu, demoro muito a chegar lá, os meus passos são de menino, mas os teus olhos esperam-me com tanto amor, tanto que corres ao meu encontro com medo de tropeçar no ar - ò musicalíssima.

Eugénio de Andrade

6.23.2010

Tatuagem de sol

Há cabelos teus e silêncios, espalhados pela casa. Brilhos moídos das searas que deixaste ligadas por pontes e marés, que sussuram o teu nome na pele, como um sol, tatuado nos meus dias.

6.22.2010

Au revoir

Irlandeses, esperam a equipa de futebol Francesa, em Charles de Gaule, para perguntarem com a devida solidariedade: Vai uma "mãozinha"?

6.21.2010

Ternura amarrotada

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

6.20.2010

Saudades

Entram devagar, sem avisar - as tuas saudades. Descem com os pés frios e põem a perna sobre o meu corpo. Prendem-no, embalam-no, abraçam-me. Instalam-se, a pentear cabelos e a navegar no meu rosto, num silêncio nocturno.

Duas luas de jade irrompem magnéticas do escuro, dançam como o mar e misturam-se nos meus olhos. Inundam-nos do teu sorriso, do teu calor e dão-lhes as mãos. Resgatam-nos para outro tempo, para outro lugar - coordenadas mágicas que fizemos só nossas.

Os teus lábios desabotoam, com pressa, as roupas espalhadas, preservando o calor, na calma das conversas infinitas, que se prolongam até a noite nos sussurrar o sono entrelaçado.

Entram devagar, sem avisar - as tuas saudades - e estão aqui comigo. Tu comigo, aqui, agora.

6.18.2010

Esquinas de mar

Escolhe-se uma varanda, acende-se um cigarro e levita-se para lá das nuvens, para lá da lua, mergulha-se para lá do tempo, para lá de nós. O mundo parece tão pequeno, insuficiente, as perspectivas transforma-se e fica-se mais leve, mais lesto, mais ausente. Vê-se a vida em câmara lenta. Recordam-se cheiros e imagens, fragmentos guardados e esquecidos, alguns que passaram despercebidos, outros sempre presentes, apenas à espera de um braço para os puxar. Tudo noutra velocidade, noutro tempo. Um oceano infinito inunda-nos e deixamo-nos viajar em movimentos de anémonas. O próximo parece longe, o distante uma sombra das nossas vontades, ainda imóveis, por descobrir. O mar também tem esquinas, mas sempre será vasto e cantará ao ouvido os seus caminhos.

6.17.2010

Stop for a minute


Kean feat K'Naan, Stop for a minute



[ And if I stop for a minute
I think about things I really don't wanna know
And I'm the first to admit it
Without you I'm a liner stranded in an ice floe ]


Não adormeças nunca de mim

Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira

Assíduos do shaker

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