10.31.2009

For allways


Kings of Convenience, The build up


[ The build up lasted for days
lasted for weeks, lasted too long ]

10.30.2009

O reflexo das cores

O mundo é tão diferente quando visto deitado para o céu. Mil pensamentos deambulam, fugindo como nuvens. Diluindo-se no som dos pássaros ou na frescura da relva mas ficando, sem pressa, numa leveza frágil vinda de um lugar estranho, talvez esquecido.

Os ramos das árvores despidas, acenando ao vento. Diluindo a sua teia de finas ramificações pelas artérias e veias. Trespassando o próprio corpo, descendo até às raízes mais fundas, cravejadas na terra. Criando um elo de respiração. Uno. Um pulsar consanguíneo. Um fechar de olhos mais demorado, absorvendo o frio da terra e o calor do sol numa tinta invisível, derramada, à deriva no corpo.

E um mar das coisas vividas a ecoar ao ouvido. Coisas que vi. Que conheci. Num mundo onde tudo parece estar já escrito, onde tudo parece ter que ter um sentido, uma certeza. Adormeço feliz. Guardo espumas e reflexos.

10.29.2009

Piano e Lobo Antunes

Há alturas em que apetece mais ouvir do que escrever. Saborear certas frases, curtas e inofensivas, à primeira vista, mas que se desdobram e ficam dias a sussurrar ao ouvido, intrigando, remoendo. Para a frente, para os lados, para trás.

Há alturas em que depois de o ouvir não apetece mais escrever, por respeito e admiração. Por não fazer falta. Por nos sentirmos pequeninos apesar de tanta humildade.

Há alturas em que um piano e uma passagem tua se entrelaçam e confundem num pensamento. Obrigado António. Gosto de ti.

10.28.2009

Página aberta, do teu corpo


Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara

Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol

Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor


António Ramos Rosa

10.26.2009

Arquitectura #10




Apesar de não ser grande amante de campismo, gosto desta combinação:
Mini + Airstream com praia deserta + céu azul*


* livros e Martini logicamente incluídos

10.25.2009

Sempre bom

A corrida este ano não correu grande coisa mas é sempre boa. Passo a explicar: Gente a mais [a avaliar pelos quase 3 minutos para conseguir passar pelos grupos em passo de peregrinação], Tshirt bicolor um nadinha abichanada em tons de azul bébé e cinza, atraso a deixar o carro em Carcavelos [na chegada] chegando à partida já quase com a prova a começar, chip do ipod definitivamente estragado, tempo substancialmente superior ao habitual [apesar dos treinos].

Mesmo assim um lindo dia de sol e uma sublime vista de mar na marginal, boa companhia, pequeno almoço da praxe no cafézinho de Algés, música da boa, uma extrema satisfação ao ver meninos de tenra idade ou idosos entradotes darem-me um verdadeiro baile e gente bem disposta e com bom ar.

Mesmo assim, posição final no primeiro terço dos participantes e um tempo final de quase metade do nosso primeiro ministro. Para o ano há mais.

10.24.2009

Fascinante

- A escrita dá-lhe algum prazer? Ou é um processo penoso com um final agradável?
- Há momentos em que é muito difícil, especialmente quando se começa um livro. Quando estou a terminá-lo, é extremamente agradável, porque dominei o livro, inventei-o, resolvi todos os problemas. Portanto é uma mistura, é complicado do início e mais fácil no final.

- Quando sabe que o livro está terminado?
- Simplesmente sei. Quando sinto que já fui o mais longe possível. Quando já não consigo fazer mais nada e não há mais nada a fazer para o melhorar. Quando esgoto o potencial do livro. Se conseguir responder a todas as questões e resolver todos os problemas que o livro levanta, significa que está pronto.

- Qual é a sensação de terminar um livro?
- Sinto uma enorme satisfação. O único problema é que sinto também que tenho de começar outro.


Excerto da primeira entrevista a um jornal português de Philip Roth [escritor norte americano]

10.23.2009

Déjà vu *

Não gosto de ler Saramago. Apesar de gostar muito de ler, confesso que nunca consegui terminar nenhum dos seus livros. Na minha modesta e indiferente opinião, existem pelo menos dois, escritores nacionais mais dignos do Nobel que ele ganhou [um vivo e outro já falecido] e não o considero uma personalidade particularmente interessante. Não tenciono, portanto, comprar [ou mesmo vir a ler] o seu novo livro, apesar de toda a “pseudo-celeuma” [ainda por cima déjà vu]. Aprecio, no entanto [talvez um pouco inexplicavelmente] a sua imagem mais recente [que sussurra sem falar], e uma capacidade serena para falar apenas o que meditou e questionou [mesmo que não se concorde].


* ou "Caím Caím Caím" que lá tropeçei no raio do cão outra vez

Poesia sem rima

Lambiam as palavras
sorvendo do calor dos frutos
olhares d'águalua

Assassinavam o tempo e o discurso
nos labirínticos desertos
da sede e da pele

Amavam a poesia pela viagem
arfada de ecos de mãos
que apagam a noite num sopro

Morriam Dormiam Renasciam
em cada encontro
e nada mais precisavam

10.22.2009

Gostos


Gosto da menina malévola e do ambiente.
Gosto do aroma e da cidade.
Gosto da sonoridade a lembrar o "I feel you..." dos Depeche.
Gosto do preto e branco com laivos de cor
Gosto da mistura. Gosto, pronto!

10.21.2009

10.20.2009

Cal [Canhota]



Dona de castelo, Adriana Calcanhoto

O lento despir da noite, enlaçando o olhar numa voz de cal. Pintando os lábios com um cálice de tinto, elevando o calor do sangue. O teu cheiro, dentro dos livros, abertos. Soltando frases canhotas, levitando do lado do coração. O fechar da janela para te guardar assim. Aqui. Dentro de mim.

Já vos tinha dito que adoro esta menina?

10.19.2009

Medusas

mar
amar

mercadores de pérolas
sem lágrimas
e uma hidra
pescadores
de dor

vento descalço
de calor
e tranças em coral
das medusas

mar
amar

mulher de branco
cansada de esperar
dias de paz
e uma manhã agasalhada
em nevoeiro

mar
amar

palácios dentro
de soluços
conventos de freiras a pensar


Maria Tereza Horta

10.18.2009

Let's do it

Pronto! A apresentação de defesa de tese está finalmente fechada [e, está claro, sem qualquer troca de impressões com o Tino].

Começa com a imagem de cima e e termina com um video [apesar de não explicitar aqui os seus contextos].

Espero apenas que o iceberg não vá ao fundo e que os argumentos "Escoceses" se aguentem às esperadas intimidações "All Blacks" sem nódoas negras ou outras mazelas.

A ver vamos... também é já esta semana.



As melhores apresentações que assisti [ou fiz] valorizaram sempre a oralidade à escrita. Suportadas por apresentações simples, mas bem pensadas, com boas doses de humor, imagens ou frases fortes e tentando, sempre que possível, uma certa provocação ou o incómodo. Desta vez não vai poder ser assim, dada a excessiva tradicionalidade académica. Vamos ver se mesmo assim não é demais.

10.17.2009

Good morning



Último treino Nike Running antes da grande corrida. Bastante mais gente que o habitual e, curiosamente, mais soft que nos anteriores, apesar da presença de vários ilustres medalhados internacionais: Vanessa Fernandes, versão loira [medo medo medo], Carlos Lopes, versão barriguda [vermelho que nem um pimento] e Francis Obikwelu, versão própria [simpatiquíssimo, divertido e com grande pinta]. Balanço final: 3 em 5 treinos e a aguardar os resultados na grande corrida, que ocorre já para a semana.

10.16.2009

Check please

Sempre admirei a capacidade humorística oculta, de certas pessoas, que descubro, às vezes , por casualidade, ao lado da mesa do almoço. Após, por exemplo:

  • um anafado bife com ovo a cavalo,
  • batatas fritas a boiar em molho [pois está claro],
  • mostarda, ketchup ou maionese [como se ainda não bastasse]
  • ausência de qualquer cor verdejante no prato transbordante,
  • pão com fartura,
  • cerveja ou refrigerantes [em pelo menos múltiplos de dois]
  • e, para rematar, a maior fatia de bolo existente [que daria, ela só, para ficar almoçado e jantado] e ainda com olhar desconfiado se seria mesmo a maior

fazem muita, mas muita, questão em pedir adoçante para o café.

Ramonkeys

Um site com alguma piada


Worth1000 punk animals photoshopping contest

10.15.2009

Retrato

“Tenho visto que as pessoas ao morrerem se alteram nos retratos, em vivas distraíam-se de nós
e agora sérias, atentas”

António Lobo Antunes



Era um retrato vivo, que lhe falava baixinho, numa presença táctil. Aquática. Ondulava-lhe nos olhos. Diluía-se no coração e demorava-se, por lá. Beijava-lhe o rosto ou a testa e puxava-lhe a mão, para a libertar numa paz estranha ou numa inquietude de fazer perder o pé.

Era um retrato que conversava calado. Mudo. Que caminhava, a seu lado, mesmo depois de ter ficado para trás. Ia falando, ao longo do dia, desprovido de gestos ou palavras, num som, num cheiro ou numa brisa mais fria que surpreendia, de repente, a atenção.

Era um retrato, preso num vidro de moldura. Fechado mas vivo, respirando fora dele. Respirando com ele próprio. Era um retrato atento. Sério. Era um caso sério. Era um retrato vivo. E gostava dele assim.

10.14.2009

Arquitectura #9

A irreverência da forma, agradável ao toque e ao olhar. A funcionalidade estética, plantada para ser o centro das atenções, numa subtileza desafiadora do tradicional. "Small is beautiful... less is more".

[Sheer, Spherical Carbone fiber kitchen, by Gatto Cucine]

10.13.2009

Arquitectura #8

História e modernidade. Tradição e ousadia. Espaço, ambiente, luz, tonalidades e temperaturas contrastantes. O saber do livro sob a fé do lugar.


[Igreja Dominicana convertida em loja de livros, Maastrich, by Merlx+Girod Architects]

10.12.2009

I might be wrong

Radiohead, I might be wrong

[ Open up, begin again

Let's go down the waterfall

Think about the good times and never the bad

Never the bad ]

10.11.2009

Política 0 - Jornalismo 0

"Regressei de três semanas longe, vim deparar-me com um espectáculo (mais um) inédito: todos os principais candidatos às legislativas e autárquicas desfilam, obedientes, tementes e esforçando-se para mostrarem sentido de humor, em entrevistas a um programa de entretenimento, cujos relatos têm depois uma ampla cobertura jornalística. Claro que não está em causa o valor dos Gato Fedorento, mas apenas o princípio: se a informação está agora a cargo dos humoristas, qual será o papel dos jornalistas no futuro breve – contar anedotas? Depois da política-espectáculo, eis que demos o passo seguinte: o espectáculo-política. E todos acham normal.”

Miguel Sousa Tavares


Concordo em absoluto. Apenas tenho dúvidas qual dos dois sectores se encontra mais moribundo.

10.10.2009

Beginning workout



I'm alive ...
... I'm running like i never did before...
... I'm addicted... but it's quite good!


Mais um treino "puxadote" antes da minha corrida favorita que se aproxima a passos largos.


Workout completed.

Assíduos do shaker

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