20.11.09

Buenas Vistas mas em Buenos Aires*


Buena Vista Social Club, Chan Chan


Este espaço anda muito calado [de letras e palavras] e a precisar de música


* não me apetece Cuba

19.11.09

Outono*

O outono
por assim dizer
pois era verão
forrado de agulhas

a cal
rumorosa
do sol dos cardos

sem outras mãos que lentas barcas
vai-se aproximando a água

a nudez do vidro
a luz
a prumo dos mastros

os prados matinais
os pés
verdes quase

o brilho
das magnólias
apertado nos dentes

uma espécie de tumulto
as unhas
tão fatigadas dos dedos

o bosque abre-se beijo a beijo
e é branco

Eugénio de Andrade


* com laivos de verde e branco

Magic places #1





Onde fica o paraíso?
Talvez num sonho. Num sonho passível de se tornar realidade.


Guilin, China

18.11.09

Selecção Internacional

Para além da selecção nacional que acompanho regularmente [já com as devidas escolhas pessoais para as naturalizações como se fossem da família], acrescento para o resto do mundo, deixa ver... hummm... assim sem pensar muito pode ser [sem qualquer ordem lógica ou preferencial]:

Luis Sepulvela;
Paul Theroux;
Mia Couto;
Joseph Conrad;
Philip Roth;
Haruki Murakami;
James Joyce;
Tomas Man;
Ernst Hemingway;
E.E.Cummings;
Milan Kundera;
Renata Pallottini;
T.S.Eliot;
Thomas Moore;
Johann Goethe;
Pablo Neruda;
Alexandro Baricco;
Vladimir Nabokov;
Gabriel Garcia Marquez e
Jorge de Sena;


De alguns sou fã incondicional. Outros, leio sempre com agrado. Alguns li apenas um ou dois livros, outros apenas passei os dedos em algumas passagens que me ficaram. Um ou dois nunca li nada [ainda... mas lá irei], mas ouvi-os em entrevistas, recomendara-me de uma forma apaixonada ou chamaram-me numa referência de outro livro ou autor, ou em algo que li aqui ou acolá, deixando-me uma extrema vontade de os conhecer. Tenho por todos uma enorme curiosidade e até uma certa ansiedade por ser sempre escasso o tempo para os conhecer em toda a sua vasta obra por inteiro. Constam portanto na minha quase interminável lista de próximos livros. Difícil difícil será, estou em crer, escolher.

Guarda-fatos #2

Já me esquecia dos chinelos...
... que não façam de si um cinzentão

17.11.09

Guarda-fatos

Só para não dizerem que os homens não "riscam" nada no assunto, na minha modesta opinião num guarda-fatos masculino [básico], deverá constar, pelo menos, um blazer, umas calças de ganga, um conjunto de camisas brancas de bom algodão, um par de sapatos pretos clássicos de atacador [sem esquecer de os engraxar devidamente], uns ténis "casual", um fato escuro de corte simpático, acessórios diversos [cintos, cachecóis, gravatas, óculos escuros, botões de punho e relógio], um blusão de pele de linhas clássicas, e um roupão preto para usar por casa.


[algures numa conversa fútil sobre guarda-fatos "atascanhados" de roupa e o eterno drama feminino de não apetecer vestir uma única peça].

Bom dia

Sempre adorei começar o dia com a minha refeição favorita servida sem pressa, devidamente a preceito e com uma boa dose de sentido de humor.


E assim começa mais outra "saga"

16.11.09

Are you ready for a long journey?

Deparei-me ontem com um um autor e um dos seus livros [editado em Português, apenas em Abril de 2009, pela Quetzal] que me apaixonou de imediato.

Em primeiro lugar pelo local mágico a que reporta. Local que sempre me atraiu e seduz: a Patagónia.

Em segundo, pelo entrelaçar de simplicidade e magnetismo da história: um homem que sente a vontade [ou pura necessidade] de partir [para viajar; para escrever; "para se conhecer verdadeiramente temos de deixar a casa para trás"], escolhendo o local mais distante [que poderia aceder de onde vive - Boston] por via terrestre - a Patagónia.

Em terceiro lugar, por o fazer de comboio, remetendo-me de imediato para os ambientes "Orient Express".

E também, porque não, pela ideia que me deu de fazer uma nova saga sobre "Places in my essence", magic places que escolheria para fazer o mesmo, guardando o local já referido para a terminar.

Paul Theroux, "The Old Patagonian Express", um dos meus próximos livros. Shall we travel?

15.11.09

O teu sorriso

Na maneira mais hábil
de sorrires
há o capricho hábil
duma faca
o sentido da lâmina
ou a marca
que deixas no rosto
sem sentires

Maria Teresa Horta

14.11.09

Personal[ly] ...


... the best group on stage *


* Apesar de não ter achado tão mágico e perfeito como o anterior

13.11.09

Waitinng for the night


Mr. Dave... Tu livra-te!!! É que, mesmo sendo fã incondicional, já são duas vezes que me pregas a partida e não me apetece nadinha mesmo uma terceira. Estamos esclarecidos? Muito bem!

Arquitectura #12

O foco no essencial e na essência. A paixão e a perfeição numa busca incessante pelas melhores imagens: que falam, respiram e transpiram emoções. O preto saliente num branco infinito. Num piso, algures, a contar vindo do céu.

Adoro fotografia a preto e branco e adoro esta marca

12.11.09

"Pum, Pum", em curta metragem



Toma lá um tiro, "Pum", para ver se aprendes. Aprende-se sempre com um tiro, sabes? Ou então não, não se tem simplesmente tempo para aprender ou voltar a errar. Também há as facas é certo, mas estou cansado de sushi e japongas e se queres que te diga estou cansado já nem sei bem do quê, desta monotonia sem tiros, talvez. É mesmo só um tirinho que te quero dar carinhosamente. "Pum". Toma lá outro. Não é um tiro qualquer, atenta. Dos certeiros, é mesmo um bom tiro, daqueles que permitem mais. Dois tiros conversam sempre melhor, mas também não há duas sem três. "Pum", outro, pronto. Ainda mexes? Assim mesmo, lindo menino, vejo que estás a gostar. "Pum" "Pum" "Pum" sempre gostei de meias dúzias, é algo de revivalismo dos tempos das mercearias, não sei explicar. Não puxes por mim que ainda tento a alfarroba. "Pum" pronto, só mais um que o sete dá-me sorte. Com tanto fumo lembrei-me agora do Marlboro Man, morreu de um tiro, sabes? não acredites em tudo o que ouves. Apetece-me agora um cigarro, estás a ver. Foi tão bom para ti como foi para mim? "Pum", ups!!! Enganei-me no isqueiro.


Estupidez advinda após os repetidos massacres norte americanos, normalmente terminados com suicídio

Brand New World

Gosto de ir a conferências. Inscrevo-me, sempre que posso por minha livre iniciativa e custeio e aproveito todas as hipótese que tenho para o fazer [profissionalmente ou quando surge um convite ou oportunidade, já que não posso ir a todas as que gostava pelos custos serem, tantas vezes proibitivos].

Quase nunca dou por mal empregue o tempo e dinheiro pois sou exigente e criterioso nas escolhas [não ficando a matutar que o podia ter empregue naquele gadjet ou naquela viagem], apesar de, por vezes [reconheço] ficar boquiaberto e um pouco “lixado” com a diferença abissal para com alguns dos oradores nacionais.

Sou contudo incapaz [mesmo quando oferecidas ou pagas por outrem] de não estar atento e não absorver ideias priveligiadas como uma esponja [e faz-me uma certa confusão quem desperdiça essas oportunidades].

Faço-o, [não só] mas sempre que mudo de área profissional ou de função, tentando assimilar conceitos, tendências e novos modelos de negócio ou paradigmas emergentes, antes de começar a comprar uma panóplia de livros técnicos sobre os temas que mais me despertam atenção e curiosidade.

Hoje tive o prazer de assistir a um dos Gurus da Economia do conhecimento, inovação, tecnologia e competitividade, Soumitra Dutta, que apesar dos seus créditos reconhecidos e notoriedade se apresenta com a humildade de “ter nascido na Índia, estudado nos EUA e vivido na Europa”, fazendo de si a imagem de “mero” homem global.

Sai com a sensação estranha de que existe um mundo a evoluir noutra divisão, numa velocidade diferente da nossa [talvez pequenez], fascinante mas que nos passa ao lado [mesmo que nos achemos informados], apesar de estar, também, cada vez mais ali ao lado.

Deixou-me, entre outras, uma pergunta complexa a ecoar [apesar de nos ter dado as suas reflexões e conclusões e concordar com parte delas]: “Technology makes us better humans?” e uma afirmação surpreendente que também faz pensar: "Produzem-se actualmente mais transístores que bagos de arroz".

Gosto de afirmações surpreendentes, mas gosto tanto de boas perguntas.

11.11.09

Time out

Há quanto tempo não tocas a textura de uma árvore? Na sua imponência imóvel, transpirando sapiência, na sua indiferença para contigo, esmagando-te pelo seu tempo interminável, pela tua pequenez, em breve de todos esquecida.

Há quanto tempo não inspiras fundo, até à alma? O aroma da terra molhada e a paleta de aromas em teu redor? Há quanto tempo não perdes o olhar na vastidão do rio, arrepiado pelo vento, correndo a teu lado sem nada dizer mas dizendo-te tanto?

Há quanto tempo não te pintas das cores das papoilas ou dos jacarandás? Dos raios de sol? Há quanto tempo não admiras os desenhos deixados pelas patas de gaivotas despreocupadas ou o adiado levantar de um pato bravo rasante?

Há quanto tempo não andas a sós com os pensamentos? Não te deixas escolher por um trilho ao acaso? Não descobres um canto escondido, onde prometes voltar? Há quanto tempo não descansas dentro de um quadro vivo?

Há quanto tempo não sais, aconchegando o frio da manhã no calor interior? Há quanto tempo não regressas cansado das pernas mas leve no respirar?

Há quanto tempo não me sabia tão bem.

10.11.09

Arquitectura #11




Enquanto não me decido pela de duas rodas [antiga para remodelar a preceito], parece-me muito bem esta de quatro para junto da secretária.


[Scients Vespa, by Belybel Estudi Creatiu], raptado daqui


9.11.09

Berlim

Contra os muros, todos: físicos e os que ainda residem em tantas cabeças.


Lembrando-me sempre um dos meus filmes favoritos e uma das suas músicas [que também adoro] fica a minha pequena homenagem a um dos grandes acontecimentos deste século.


20º aniversário da queda do Muro de Berlim (1961-1989)

8.11.09

Cotovia


Gosto da editora, da simplicidade do desenho [quase um borrão] e, sobretudo, da sonoridade da palavra

Metáfora


Vara na sucata

7.11.09

Carta para Leonor* no dia em que faz anos

Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar os pêssegos em flor no campo que floresce. Isto não tem a ver com dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está onde ela não está, de mistura com o que nos agarra quando a vemos. É assim também o amor.

É sempre preciso regressar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe em tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente aprenderes a viajar.

E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida, que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.

A maldade turva o olhar, não é o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Sobretudo foge das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.

De pouco vale dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que o acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.

Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É a simples grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso agradar.

E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor.


Pedro Paixão

* e para quem se revir
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