1.22.2007

Lágrima de preta

Apeteceu-me dar um ombro e um soco. Apenas dei dois olhares: um de conforto, outro de indignação. Como é possível ainda sermos tão atrasados?

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

1 comentário:

lilaz disse...

Olá!
Como eu gosto deste poema e como aprecio e apoio a atitude, do que presumo ter acontecido.

Assíduos do shaker

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