2.01.2010

Silêncio

Afinal o silêncio pode ter um som, ser um som - uma abelha metálica, invisível, esvaindo a sua cor nesse zumbido - trocando a luz pela escuridão, os cheiros pelo vazio que, no entanto, ecoa largo. longe, perto. Largando o seu ferrão na pele, despedindo-se, enquanto dura, nesse som alastrado, nessa morte vagarosa, dentro de nós.

Afinal o silêncio pode ter um corpo, ser encorpado ou complexo como um vinho espesso e maduro. Um corpo que se cola ao próprio corpo, uma cama inviolável, hermética, aquando agitado contra as paredes frágeis gastas pelo tempo, cansadas de caminhar de pé.

Afinal o silêncio pode adormecer todas as palavras, uma a uma, dançar com a alma, chorar para poder voltar a sorrir. Afinal o silêncio não é apenas nosso. Afinal o silêncio é omnipresente, existe e, por vezes, asfixia todos os barulhos, até poder partir.

3 comentários:

Miss Kin disse...

Gosto do silêncio por vezes, quando é leve. Porque o silêncio pode ser denso e pesado, como uma mão a apertar pescoço...

Tulipa disse...

O silêncio pode assumir todas as formas, inclusive as mais cruéis. Kisses

Quase disse...

Até podes estar a escrever sem vontade, mas continuas a escrever LINDAMENTE!
A.
XinXin

Assíduos do shaker

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