2.10.2010

Perguntas


Quem somos, de facto? O que nos define? O que nos torna únicos? O que damos relevo, ou queremos, mais do que tudo? O que nos faz ter certezas inabaláveis? O que nos apresenta numa só frase ou numa imagem que perdure por muito muito tempo? De que matéria somos feitos? Que mistura de água, terra e fogo? Em que estado? Em que estágio? O que nos molda alma e sentidos? O que nos flui e o que aprisionamos? Em que momento o conseguimos aferir com a devida nitidez, com a devida distância? Quantas certezas moram dentro de nós? Quanto tempo precisamos para o saber, para o sentir? Um longo período, pensado e mastigado, ou em flashs casuísticos imprevisíveis e impossíveis de controlar? Quantas vezes nos vemos verdadeiramente "nós"? Nós, verdadeiramente... sem filtros, máscaras ou falsos agrados a expectativas alheias, sem pequeninos grãos de areia ou ínfimas mentiras que, tantas vezes, pregamos a nós próprios, que nos chegam quase a convencer, sem passados ou futuros, sem antes ou depois? Nós - eu e eu, tu e tu, aqui, agora! - Quantas vezes? Quantas vezes fomos ou somos verdadeiramente o que somos? O reflexo da imagem que sentimos dentro de nós? Quantas vezes conseguimos ser vistos assim, pelos outros? Quantos nos conseguem ver assim? Quem somos, de facto? O que trazemos do berço e manteremos até morrer? O que descobrimos, todos os dias, que nos vai assentando e tornando parte de nós? O que nos faz mudar ou iniciar um caminho, saber querer dar mais um passo, escolher uma direcção? O que nos prende, às vezes ao solo, tendo em nós todos os conceitos, todas as vontades, todas as asas e certezas? O que sabemos realmente de nós? Quantas vezes escrevemos ou dizemos o que queremos realmente ser ou como gostaríamos de ser recordados após desaparecer? Quantas vezes pensamos nisso, conscientemente? Quantas vezes decidimos tentar? Quantas vezes?

2 comentários:

Tulipa disse...

São as inquietações da vida...não há uma resposta, existem tantas quantos dias existem numa vida. Gostei muito. Kisses

Anna Blue disse...

Algures entre a intermitência, a cobardia e a obsessão, eu diria que são sempre poucas…

Assíduos do shaker

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