11.28.2009

Sir. Cohen in my Secret Garden

Thank you so much friends... I was… I was having a drink with my old teacher, he is 102 now [risos]… and… this was… it was about 1997… by the time, and he click my glass and he said: excuse-me for not dying. I’ve kind a feel the same way [risos]. I want to thank you not just… for this evening, but for the many years you capture my songs alive… I appreciate it

Leonard Cohen


Levantou-se cedo, para correr, como fazia todos os fins-de-semana, religiosamente. O dia estava frio, com um ligeiro nevoeiro, como gostava. As ruas ainda, ensonadas, quase desertas, envoltas numa luz fotográfica, fazendo as coisas mais lentas, mais nítidas.

Saiu acompanhado por um álbum escolhido a preceito - Leonard Cohen live in London – não sabendo se gostava mais da voz, da música, das letras ou se dos seus comentários antes de iniciar a próxima música. Gostaria de envelhecer assim… naquela voz prolongada, melódica e com um sentido de humor ternamente humilde, próximo do fim.

Chegado ao seu secret garden [onde as corridas ganham sempre diálogos com as imagens e os pensamentos rebentam em bolhas transportadas dos cheiros e das texturas.], a meio do percurso habitual, foi obrigado a parar pela perfeição das imagens e do som. Tão abissais que o obrigaram a parar.

O rio imóvel misturado no céu pela neblina, deslocava-o para dentro do rio. Uma espécie de nuvem ou de quadro vivo, onde aquela música absorvente, dançava, viajante. No meio da neblina, um corvo marinho rompia ou remadores, vindos do nada, ganhavam posição a um tronco de árvore boiando no rio. Os nomes dos barcos colados como beijos nas bochechas, ao passar na marina, o velho catamarim abandonado, os pontões de pedra e madeira envelhecida pelo tempo, o orvalho suspenso nos pinheiros ou nas teias de aranha. Tudo transpirava uma beleza simples mas inspiradora que se absorvia no ar frio que se aconchegava ao calor interior.

Chegou com a sensação de, mesmo não ter corrido quase nada, ter sido a sua melhor corrida de sempre. Pousou o iPod e pensou: Quando for correr, em dias frios de nevoeiro, não me posso fazer acompanhar por Sir Leonard Cohen, é que se chega com muito calor e cansado. Cansado da cabeça.

4 comentários:

um perfeito estranho disse...

Adoro a música dele, as letras, a voz, a calma.
Obrigada por este momento.

Xin Xin

Mário disse...

"It Seems so Long Ago, Nancy"

Este seu post é mais poesia em estado puro.
Bem de acordo com tudo quanto diz respeito a Mr. Cohen
Bem haja por este momento de beleza.

Mário (fã de Leonard Cohen desde que sou gente!)

Dry-Martini disse...

Meus caros,

Obrigado pelas palavras simpáticas e como diz o visado - Be Kind .)

XinXin

Lady_M disse...

Gosto quando nos presenteias com a imagem e o som que te acompanham nas corridas.)

Quanto ao Sir Cohen só uma palavra: intemporal.

Assíduos do shaker

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