4.16.2009

Amar, num tempo irrecuperável

Quem escreve em mim é um que já morreu. Há um que continua a viver, a andar, a falar, a beijar e o outro está a ver tudo isso acontecer e a transportar tudo para dentro de palavras. A única coisa que faz é escrever-se. É a maneira que tem de se resguardar. Para poder continuar. Os escritores suicidam-se vinte vezes mais do que em qualquer outra profissão. Nenhum cientista se mata. Nenhum filósofo. Quem escreve mistura-se perigosamente com a vida. Talvez seja isso. O escritor, que eu não quero ser, ama ao matar, mata ao amar. O meu amor falecido num corpo que continua vivo. De vez em quando telefona, diz-me que sou horrível em não a visitar e eu sem conseguir explicar. Não lhe posso dizer: amo-te num tempo irrecuperável.


Pedro Paixão

3 comentários:

alfabeta disse...

Os escritores sentem tudo à sua volta.São mais atentos aos sentimentos.
:)

SRRAJ disse...

A-D-O-R-E-I

Buttafly disse...

Amo a escrita do Pedro Paixão. Acho que a cada coisa que leio dele, mais me apetece que ele escreva sem parar...

;)

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