3.29.2009

Diz-me o teu nome

Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.



Maria do Rosário Pedreira

2 comentários:

Afrika disse...

Gostava muito de ter o dom de adivinhar mas não tenho! Ja sabe o que tem a fazer... se quiser receber, pra depois dar! lol

Beijinho

pepita chocolate disse...

Fantástico! Delicioso.
Quase sempre me deixam sem palavras, os poemas que seleccionas.

Beijoca!

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