1.03.2009

Caneta

Caligraficamente falando seria, talvez, tinta preta de uma Montblanc. Um reflexo de alma reflectido no seu preto espelhado, deslizando. Deslizando como um cair de noite. Uma sombra, um felino esguio, deslizando para a ponta dos dedos, e destes para o aparo. Preciso. Minucioso. Escorrendo suavemente sob escrita. Absorvida no manto de neve poroso do papel, apagando o calor do momento nas quatro margens geométricas. Tinta preta como sangue morto ou como arma pronta a disparar. Preto e branco, num contraste perfeito. Guiado por uma pequena estrela polar. Lembrando o cume da montanha branca que lhe dá nome. Lembrando o pico das ideias. Lembrando o que se quer ou o que simplesmente aparece. Sem bater à porta. Sem nada dizer. Lembrado ou esquecido numa caneta de tinta preta.

3 comentários:

poupinhas disse...

Sabe bem ler a tua escrita.. escreves muito muito bem, provavelmente o fazes também em papel com a letra ligeiramente inclinada para direita, assim à escritor.. ou talvez não.. é a penas a minha imaginação.. keep going*

Dry-Martini disse...

Poupinhas,

Obrigado pelo elogio mas estou em crer que apenas se deve provavelmente à tua imaginação .)

XinXin

poupinhas disse...

Pois, deve ser.. mas que escreves bem escreves, da maneira que o fazes, doesn´t matter :)

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