6.20.2007

O quarto em desordem

Na curva perigosa dos cinquenta
Derrapei neste amor. Que dor! Que pétala
Sensível e secreta me atormenta
E me provoca à síntese da flor

Que não se sabe como é feita: amor;
Na quinta-essência da palavra, e mudo
De natural silêncio já não cabe
Em tanto gesto de colher e amar

A nuvem que de ambíguo se dilui
Nesse objecto mais vago do que nuvem
E mais defeso, corpo! Corpo, corpo,

Verdade tão final, sede tão vária,
E esse cavalo solto pela cama,
A passear o peito de quem ama.


Carlos Drummond de Andrade

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