5.07.2007

Anjo no Mundo

Descera a esse pedaço de terra a que sempre ouvira chamar de mundo. Ele que conhecia tantos. Sempre tivera, no entanto, uma certa curiosidade por esse "Mundo" de uma só palavra. Outrora admirável mundo novo, parecia agora passar completamente despercebido aos olhares de todos os seus atarefados habitantes, presos a uma correria de insignificâncias, atolados em inutilidades.

Esse Mundo desvirtuara, por uma razão desconhecida. Transformara seus espectadores em actores desconfiados, desatentos, sempre seguindo um qualquer papel secundário, nunca mostrando seus defeitos ou sentimentos. De uma cautela extrema e certezas cómodas de preto ou branco. Sem cinzas pelo meio a atrapalhar.

Era um mundo abandonado. Assassinado aos poucos, no esquecimento e indiferença colectiva, totalmente indiferente aos sinais, à beleza dos sumarentos milagres que secavam no deserto de atenção.

O que mais o impressionou foi , ao aproximar-se, todos o acharem de uma estranheza extraterrestre, com qualquer propósito oculto, por revelar. Muito surpresos com tal intromissão nas suas redomas asfixiantes, fechadas a sete chaves.

Viera sem certezas, intenções, sem ida nem volta marcada, sem nada querer em troca. Arrastado apenas pela curiosidade de tal desprezo pela descoberta, pela negação da inocência e dos milagres inexplicáveis que também existem se não forem negados ou questionados.

Viera com tanto para revelar, para ensinar. Numa dádiva divina. Regressou desfeito por não ter espaço para existir neste Mundo, curioso, de uma só palavra.

2 comentários:

Lilazdavioleta disse...

Olá.!
Quem escreve textos como este, não pode nem deve ter determinadas
" dúvidas ".
Tem tudo dentro de si.

dry-martini disse...

É por ter tantas dúvidas que escrevo certas histórias. Sei o que tenho e sei também que tenho algo que não chego a perceber.

Assíduos do shaker

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