
4.30.2008
Estupidamente

4.29.2008
4.28.2008
My red mistery

E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
4.27.2008
4.26.2008
Chamamento

Os dedos quentes nas teclas frias de um piano. O respirar da noite lá fora. À escuta. Envolta num mar de luzes. Atenta. Esperando a próxima nota. A próxima melodia. O tempo suspenso. A pairar. Uma pausa para a bebida. Um afago demorado na madeira polida. Espelho sensual de curvas femininas. Que reflecte ela diferente do som? Talvez a alma seja maior que todos os sentidos. As mãos e as teclas novamente entrelaçadas em beijos tácteis. Soltando um éter invisível. Ameno. Que assenta, aos poucos, nas paredes. Nas cadeiras arrumadas. No chão. Uma espécie de pó arrefecendo em morte lenta, no calar do eco. Lá fora a noite e a cidade misturando-se cada vez mais. Num vulto de mulher vestida de seda e colar de pérolas. Aproximando-se, aos poucos, com os sapatos nas mãos. Abrindo uma fresta da vidraça enorme. Aproximando-se em silêncio daquele piano.
4.25.2008
Liberdade

Para lembrar o quão murcha anda a nossa liberdade
4.24.2008
4.23.2008
Olhos verdes

4.22.2008
4.21.2008
Garras dos sentidos

Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.
São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.
Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.
São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.
Da má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos
Não quero cantar amores
Nem falar dos meus motivos
4.20.2008
Black & White

Aqui estou no meio do silêncio fecundo. Naquele deserto fundo que só a noite destapa. Algures, entre a inquietude do pensamento e a tranquilidade do nada querer. Aqui estou, acompanhado desta vela que se consome. Com este cigarro, entre os dedos, por acender. Com este suave fumo que se dissipa e mistura no escuro. Lá longe há alguém assim. Ou talvez não. Talvez já tenha partido ou ainda esteja para chegar. A vida tem destas ironias: acasos e des jas vous. Momentos importantes que sempre nos passarão ao lado. Aqui estou neste espesso nada que apura os sentidos. Que alimenta. Nesta surda aflição. Num búzio de escutas. Aqui estou com receio desta caneta e com esta folha branca que fere.
4.19.2008
4.18.2008
As mãos

4.17.2008
O toque das palavras
4.16.2008
Fenómeno
4.15.2008
Receita milagrosa
Não esboçar uma palavra
Colocar "aquele" olhar
Esperar um pouco
Mais um pouco
Voltar a respirar fundo
Repetir o processo
Em casos mais graves usar a técnica exemplificada no video
4.14.2008
Palco
4.13.2008
O reino

Sentia-se a fúria do tempo. A vontade voraz de libertação. As plantas. As marés. As estações. Tudo e nada ao mesmo tempo. Numa corrida silenciosa que talvez só ele soubesse o final. Um caminho longo e solitário. O tempo é um cavalo alado. Preto. Sedoso. Cujas longas asas agitam o cair das noites e da sua pele escorregam os dias impotentes. O seu respirar tem o calor do abraço e o frio da perda e nunca olha para traz. Sentia-se a sua presença. Mais que em qualquer local. Mais que em qualquer outra altura. Estávamos próximo. Estávamos a chegar.
4.12.2008
4.11.2008
Sinónimos
4.10.2008
O meu silêncio
Não falamos há tanto tempo.
O meu silêncio não é falta de interesse. De querer saber como estás. De querer saber dos teus problemas. De querer novidades. De te querer escutar. Longa e pausadamente. O meu silêncio é um esforço. Uma luta. O meu silêncio é aprendizagem e amor próprio. É até um pouco de mágoa pela tua falta de interesse. O meu silêncio é, talvez, um falso acreditar que seja distração. O meu silêncio é uma ave branca. Presa ao chão. O meu silêncio é sobretudo nada querer cobrar. O meu silêncio é uma mão aberta que tapa a boca de uma palavra.
Não falamos há tanto tempo.
4.09.2008
Confesso...
4.08.2008
4.07.2008
Come undone
Mine, immaculate dream, made breath and skin, Ive been waiting for you,
Signed, with a home tattoo, happy birthday to you was created for you.
(cant ever keep from falling apart.. at the seams)
(cant I believe youre taking my heart.. to pieces)
Ahh, itll take a little time, might take a little crime to come undone
Now well try to stay blind, to the hope and fear outside,
Hey child, stay wilder than the wind
And blow me in to cry.
Who do you need?
Who do you love?
When you come undone.
Words, playing me deja vu, like a radio tune I swear Ive heard before,
Chill, is it something real, or the magic Im feeding off your fingers
(cant ever keep from falling apart.. at the seams)
(can I believe youre taking my heart.. to pieces)
Lost, in a snow filled sky, well make it alright, to come undone,
Now well try to stay blind, to the hope and fear outside,
Hey child, stay wilder than the wind -
And blow me in to cry.
Fade...
Duran Duran, Come undone
4.06.2008
Viva a CP

Vou-vos confessar uma coisa. Não andava num comboio suburbano desde os meus tempos de faculdade, e já lá vão uns anitos (que não revelo sob pena de me lembrar quantos). Sou frequente utilizador de Alfas pendulares e até de intercidades (menos) mas (chamem-me tio) o termo suburbano é definitivamente contra a minha natureza ( urbana, lá está). De qualquer forma notei melhorias significativas do progresso, que espantem-se os mais incrédulos, também se dão na CP. Em primeiro lugar os ditos comboios (lá estou eu, deixem-me controlar) cresceram, havendo lugar para todos, para grande satisfação dos desgraçados habitantes de algumas localidades que ficavam sempre de pé. Depois têm mais conforto, apesar de confessar um certo saudosismo dos evoluidíssimos, mas curiosamente incompreendidos, bancos ortopédicos (leia-se de pau). No entanto, o que mais me impressionou nem foi a maior frequência de viagens nem os seguranças nas estações. Fiquei deveras impressionado, não com a voz da menina a indicar a próxima paragem (como no metro) mas sobretudo pela delicadeza com que se referiu à chegada de Chelas: "Próxima paragem Chelas. Cuidado com o degrau”. Fantástico. Sou mesmo preconceituoso. Perdoem-me as pessoas de Chelas, é que sempre tive em mente (erradamente estou a ver) que em Chelas tinha de ter cuidado com os assaltos. Não com os degraus. Viva o progresso. Viva a CP.
4.05.2008
Tudo se funde

Tudo se funde. Os móveis do salão que falam no escuro das noites frias. A ferida aberta que demora a sarar. O corpo inanimado. Exausto. A nudez pálida da lua. A árvore desmembrada, estalando na lareira. Soltando memórias. Incandescentes. Julgadas extintas. Também se funde a memória. E a prata dos talheres. E o cheiro do jasmim. Tudo se funde. O nosso amor. O bem e o mal até. Como a saudade num beijo. Como o calor da minha mão na tua pele.