1.14.2009

As palavras são um ser estranho

As palavras são um ser estranho. Foram inventadas para transmitir o que nem sempre depende delas ou de quem lhes dá vida. As palavras são reféns do tempo e da atenção. Da vontade que as queiram ou não apanhar. Tocam sem braços ou arrefecem se uma mão não as traz a si. Vão perdendo irrecuperavelmente a sua essência sem uma resposta. Morrem sós.

As palavras entram sorrateiramente ou de forma abrupta. Numa espécie de dádiva ou doença incurável. Remexem-nos os espaços como uma casa assaltada. À procura de algo que nem nós próprios sabemos. Que nem nós próprios sabemos se queremos deixar entrar. Regam terras áridas, em pousio, que se transformam, de repente, num campo de trigo acenando brilhos dourados ao vento. Ali ficando, ondulando como um mar sumarento que, por vezes, se deixa silenciar em folha de Outono. Irrecuperável.

As palavras são estranhas nas vestes, na fonética, na densidão ou amplitude, quase infinita, mas sempre vagas e insuficientes. Estranhas na sua volatilidade quase kafaniana. Estranhas na diferença de forma e tamanho, estranhas por alteram conteúdo, cor ou temperatura nas suas misteriosas junções. Estranhas por chegarem, por vezes, a ter cheiro, textura ou sabor. Estranhas por transportarem, agarradas na pele, músicas ou imagens que nos acompanham, por vezes, tempo demais. Reaparecendo, recorrentes, quando menos se espera ou deseja.

Assim como as pessoas não existem palavras iguais, pois a palavra nada é em si própria mas sim no que transporta. No Eu e Tu que encorpa (lentamente ou de repente) num Nós ou esbatendo-se, mudando o seu sentido, perdendo alcance ou exactidão.

As palavras podem perder-se despercebidas, ou tocar-nos fundo para o resto da vida. Vestem-se de caminho e andam com pés de luz. Encurtando distâncias, por vezes, depressa demais. Salpicando os sentidos de uma atenção fina e delicada. Estranha de tão próxima ou familiar. Palavras tácteis. Palavras sonoras. Palavras sumarentas. Capazes de despertar todo o desejo adormecido. Alimentando-lhe a fome de descoberta. Fazendo-o crescer a cada uma. Num lido e relido bater de asas. Até esse desejo não suportar mais qualquer palavra e transbordar. Exigindo uma explicação. Urgente. Um confronto. Inadiável.

Mas as palavras transfiguram-se para sempre, quando esse desejo não se chega a saciar por assustarem do tanto que dizem sem poderem ser ditas. Tornam-se proibidas. Ingratas. Abnegadas, que se preferem sacudi-las para longe. Mesmo que mantendo a forma, o propósito ou sentido inicial. As palavras também afastam, quem já esteve próximo. Pela sua ausência. Pelo silêncio ensurdecedor. Atenuando, por vezes, a dúvida que se prefere comodamente certeza distante. Sossegando uma espécie de tempestade, no mar alto, que não chega a dar à costa. Que teima em não acalmar mas que se sabe vir a morrer longe, entregando ao tempo essa última missão.

É aí que, por mais cuidado que se coloque nas palavras, por mais minúcia ou atenção, na sua escolha, as palavras não têm salvação e passam a ser meros castelos de areia, sucumbindo à falta de percepção do que nelas realmente mora.

As palavras são um ser estranho. Que nunca extravasam a plenitude do que nelas se colocou. O que as esvazia, por vezes, irremediavelmente. É por isso que nunca uma palavra substituirá um gesto ou um olhar. É por isso que por mais que as amemos sempre as devemos detestar por serem tão escassas e submissas. Tão incompletas e vazias. Tão assustadoramente distantes. Do que queriamos dizer. Do que assim fica, perdido. Na estranheza fria duma simples palavra.

1.13.2009

Equívoco

Não a via há uns dez anos. É incrível como o tempo passa e faz questão de escolher alguns momentos para o lembrar. Cruzaram-se, por mero acaso, numa manhã fria mas solarenga. Ambos a correr mas por motivos diferentes: Ela, atrasada, para algo que não perguntara, ele, sem pressa alguma a preparar-se para fazer jogging. Tinha sido a sua primeira grande paixão. A primeira. E ele a dela. Muito jovens. Jovens demais.

Estava diferente: Pele cansada, um pouco mais forte, com um olhar menos perturbante, mas com a mesma voz rouca e sensual. Soubera-a casada, mas não com filhos - um com o seu nome, por acaso.

Não conversaram muito mais: as banalidades entediantes do costume. Respondia-lhe telegraficamente e estava mais interessado em saber qual seria a próxima pergunta. Finalmente, disse-lhe que estava com pressa para um compromisso e pediu o seu telemóvel para lhe ligar depois. Partiu como um equívoco. Como o equívoco daquele encontro.

Durante o jogging vieram-lhe alguns momentos seus, envoltos na música que ouvia: o seu ar de terror a ser praxada a seu lado na faculdade, as idas ao bairro alto e ao incógnito, de que tanto gostava, as tardes de praia no Guincho ou na Ericeira, o seu husqui com ciúmes a querer ferrar-lhe o dente (nunca soubera porque mudara o seu comportamento de um momento para outro – um chuto certeiro – remédio santo), a sua monumental bebedeira, em Vilamoura, quando perdeu a S. no acidente de carro, descarregando sobre tudo e todos (tempo demais), até nos seus braços (não se calando um segundo), depositando-a na cama (dizendo coisas já sem nexo mas ainda assim sem se calar), então sim, com uma resposta, virando-lhe costas. O tempo adiado que sempre souberam inevitável desde o primeiro momento. A primeira coisa que lhe ocorrera quando a vira. A primeira coisa que lhe dissera. A última palavra trocada.

É estranho como tantos momentos se apagam no tempo. Tanto tempo. Tempo demais.

Apagou o seu número no final da corrida. Apesar de ter gostado de os rever. Tinha sérias dúvidas se lhe tentaria ligar mas não a atenderia. Talvez em memória desses momentos ressuscitados. Preferia guardá-los assim, mesmo que com tantos anos. Mesmo que vindos à tona assim. Tão equivocados.

1.12.2009

Sete luas


Esta noite sete luas,
sete luas cheias,
rolaram juntas nos céus.
Dançaram nuas
sem pudor nem véus.
Vieram as estrelas,
as fadas e os anjos
deram-se as mãos
e fizeram roda
à roda da lua
sete vezes branca.
Vem, meu amor,
escuta seu canto.


Eugénia Tabosa

1.11.2009

Música com asas



The Corrs, Little Wing (Jimmy Hendrix cover)




[ When Im sad, she comes to me
With a thousand smiles, she gives to me free
Its alright she says its alright
Take anything you want from me, anything
Anything ]



Porque ser capaz de comunicar apenas com música e viajar apenas com asas é algo muito bom. Estranhamente bom.

1.10.2009

My Advertisings #21


UNDP
Indiference Kills

Porque nunca é demais lembrar o que é tão fácil esquecer

1.09.2009

Temos pena

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando ao segundo dia depois de umas reconfortantes férias já nos apetece voltar a desaparecer indeterminadamente.

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando nos apetece simplesmente ser despromovido em vez de ambicionarmos a mais qualquer coisa.

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando para além do objectivo definido nos querem impor a forma e o estílo do atingir.

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando nos alteram as regras a meio do jogo, quando dizemos um "não" redondo e nos servem "sins" disfarçados de mil e umas desculpas e faz de contas, e "não tem importância nenhuma".

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando mantendo a postura séria e profissional, (mas não acéfala de saber pensar e por vezes discordar), se põem a nu faltas de respeito e educação, ou intromissões intoleráveis na vida pessoal.

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando a (pseudo) "liderança" não se faz pelo exemplo ou pela equipa, mas apenas pela crítica (apenas porque se tem de criticar), pela intriga, pelo "porque sim" (sem argumentos válidos), pela tentativa de intimidação (em vez da motivação),

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando se sobrevaloriza a forma ao conteúdo, o tempo físico aos resultados, quando as palavras simplesmente perdem a cor e já não dizem o que dizem.

Descobrimos que temos de mudar de emprego quando simplesmente se deixa de acreditar.



Não consigo fazer coisas que não acredito. Não consigo de deixar de pensar por mim próprio e de dizer o que penso. Simplesmente não consigo. Por isso, temos pena.

Erotic

Simplesmente adoro o erotismo contido nas escolhas fotográficas desta menina. Já lhe tomei umas quantas emprestadas sem ela saber. Espero que não se importe. É que são de uma sensualidade irresistivel.

1.08.2009

Meditação em passos de caminho

"O caminho faz-se caminhando"

Não digas o que és. Sê-lo.
Não te queixes da sorte. Desafia-a.
Não sigas sempre a razão. Intui.
Não te conformes com o que já sabes. Descobre.
Não aceites o impossível. Ultrapassa-o.
Não acredites em tudo o que vês. Sente.
Não faças planos. Surpreende-te.
Não penses em demasia. Caminha.

Memórias, na terceira pessoa (do singular)

Lembrou-se dos seus olhos. Ondulando por si. Estudando-o, à meia luz. Os seus olhos no corpo imóvel. Num despido deitado. Num sépia sedoso. Só os seus olhos, percorrendo-o. Nada mais.

Lembrou-se, também, de algumas das suas expressões. Achava curioso, como por vezes lhe fugia o seu rosto, mas estavam sempre presentes certas expressões. As mais subtis: desde um franzir de testa, delicioso, a uma dança exótica de mãos arabescas. Tatuadas de passado. A covinha do sorriso, onde gostava de ficar calado. No silencio, a contempla-la. Na curva ergonómica do sorriso. Nesse vale perfeito que descobrira, ao acaso, e fizera seu abrigo.

Lembrou-se do seu perfil a conduzir por entre a vasta paisagem diluida com o horizonte. A olhar a estrada de frente. A percorre-la com uma música que não cantava por pudor. Mas que se lhe escapava num ténue sussurro, pelos lábios entreabertos.

Lembrou-se do seu desenho esguio, como um lento acompanhar de pincel. Suave. Deslizando, do queixo para o pescoço. Do pescoço para o peito. Como uma gota. Engrossando aos poucos. Para logo evaporar dentro de si. Guardada algures. Preciosa.

Por mais tempo que passasse sempre guardaria essas imagens. E a do quadro, que lhe contara. Guardadas numas gramas que dizem levarmos comnosco. De peso incerto. Ora leves ora pesadas. Algures. Largadas ao vento. Algures. Espalhadas dentro de si.


Adaptação de um texto antigo. Guardado algures. Algures, na primeira pessoa (do plural).

1.07.2009

Majesty

[ And we cried and we cried
On the phone
Oh, but in my mind
You were never that all alone

Oh, you were majesty
Your roads were heavy
And your longing was cut from bone ]

Madrugada, Magesty

Amor


Frase retirada daqui

1.06.2009

Ecos de Boato

Os novos 7 pecados mortais: Boato


Diz. Diz que disse. Dizem que diz que disse. Que disse que diz que não diz. Um dizer ondulado. Um eco que se propaga, num bater de asas pesado. Difícil de suster. Um eco que se desdobra. Que se multiplica, subindo degraus. Ecoando do alto.

Diz. Diz que disse. Dizem que diz que disse. Que disse que diz que não diz. Um dizer ondulado. Terminando num riso. Um riso fino e subtil. Mas intenso. Que se entranha na vontade de falar. Na vontade do boato.


Os novos pecados mortais: Vingança em Andrómeda-News

1.05.2009

(Escrever-te) Toda




Esta noite [era capaz de te escrever] a noite toda
Decantar-te. Destilar-te
na tua mais pura essência
Toda

Comprimir-te nas suas finas paredes
escuras. Entre seu inicio e fim
Deitar-te sob as margens do papel despido
Toda

Tu na noite
Tu no papel
Tu do inicio ao fim
Tu Toda

Tu e a noite misturadas em mim
Nós três. Amarrados. Diluidos no papel
Presos por uma corda invisível. Esticada
sem perceber quem a puxa. Tu Eu Noite?

Todos. Toda

1.04.2009

Help

Pronto, pronto, retiro tudo o que disse aqui e peço encarecidamente ao comum dos mortais ou ao nerd (desculpem, génio, queria dizer génio informático), que me esclareça por que diabo não consigo receber notificações por email dos comments da maioria das pessoas que aqui comentam.

Até lá, peço desculpa a algum comment importante que fique sem resposta por não me ter apercebido.

Nurayev, o cavalo inquilino

Os teus passos. Nada mais do que os teus passos. Uma escuridão total onde tudo se apaga para os teus passos. Como se o tempo se baralhasse e simplesmente esperasse pelo próximo passo dos teus. Como se fosses descendente de Pégaso, sangue de Medusa, habituado a voar e a nunca os usares em terra firme. Como se quando tocasses o solo o mundo se curvasse em tua atenção. Rendido a teus passos. Rendido ao teu rasto de vento. Foi assim que te senti Nurayev. Assim, tão nítido, sem te mostrares. Foi assim que entraste para nunca mais partir.

Dedicatória


E pronto, parece que está pronta, para entrega, a versão provisória da tese, com dedicatória e tudo. Reza assim:


“Dedicada ao meu (des)orientador, com o qual nada disto teria sido possível”

Quer-me parecer que vou ter alguma dificuldade em a acabar. A ver vamos.

1.03.2009

Trying my best


Placebo, Meds

[ I was alone, Falling free,
Trying my best not to forget
What happened to us,
What happened to me,
What happened as I let it slip.

I was confused by the powers that be,
Forgetting names and faces.
Passersby were looking at me
As if they could erase it ]

Caneta

Caligraficamente falando seria, talvez, tinta preta de uma Montblanc. Um reflexo de alma reflectido no seu preto espelhado, deslizando. Deslizando como um cair de noite. Uma sombra, um felino esguio, deslizando para a ponta dos dedos, e destes para o aparo. Preciso. Minucioso. Escorrendo suavemente sob escrita. Absorvida no manto de neve poroso do papel, apagando o calor do momento nas quatro margens geométricas. Tinta preta como sangue morto ou como arma pronta a disparar. Preto e branco, num contraste perfeito. Guiado por uma pequena estrela polar. Lembrando o cume da montanha branca que lhe dá nome. Lembrando o pico das ideias. Lembrando o que se quer ou o que simplesmente aparece. Sem bater à porta. Sem nada dizer. Lembrado ou esquecido numa caneta de tinta preta.

1.02.2009

Eu já...

Encontrei este desafio aqui e achei piada ao exercício. Deixo-o aqui para quem quizer exprimentar...


Eu já subi num balão de ar quente e foi das melhores sensações que já vivi
Eu já soube tocar relativamente bem e até já toquei em público
Eu já viajei de caixa aberta e velejei num barco à vela
Eu já fiz a PGA, tirei um 20 a História e fui a uma oral de Matemática para defender um 18
Eu já fiquei preso numa ilha por causa do mau tempo
Eu já adormeci num barco insuflável e acordei no mar alto
Eu já estive quase quase para ir morar na Finlândia por dois anos
Eu já vivi momentos que considero valerem uma vida
Eu já me apeteceu fugir e largar tudo
Eu já perdi o meu melhor amigo de infância por overdose
Eu já tive uma namorada espanhola
Eu já fiz várias vezes directas para acabar um livro
Eu já vi ao vivo a maioria dos meus grupos musicais favoritos
Eu já me emocionei com uma imagem ou um olhar
Eu já fiz coisas de que não me orgulho
Eu já vi coisas que preferia nunca ter presenciado
Eu já fui tímido
Eu já fumei um Montecristo nº4
Eu já estive deitado numa praia deserta a contemplar as estrelas
Eu já apanhei uma valente bebedeira
Eu já tive saudades de morte de alguém que já partiu
Eu já dei tudo a uma pessoa e acho que ela nem percebeu muito bem
Eu já tive um jardim secreto
Eu já tirei um curso de cozinha e comprei facas de sushi
Eu já tive um gato com muito carisma
Eu já senti a ténue linha que separa os dois mundos
Eu já tive amigos muito chegados que já pouco ou nada me dizem
Eu já perdi pessoas importantes sem chegar a perceber bem o porquê
Eu já estudei mais tempo depois do que durante a faculdade
Eu já joguei ténis e pratiquei natação
Eu já fui assaltado com uma faca
Eu já perdi a conta às multas de estacionamento
Eu já peguei no carro e parti para parte incerta
Eu já ofereci presentes que me deram mais prazer do que qualquer um que tenha recebido
Eu já mudei uma fralda
Eu já tive momentos perfeitos
Eu já tive o melhor chefe do mundo e a pior
Eu já trabalhei só com mulheres e não recomendo
Eu já disse à minha massagista que fujo com ela e começo a acreditar
Eu já fui o último a sair de uma sala de cinema e já fui ver o mesmo filme duas vezes seguidas
Eu já plantei cactos e ervas aromáticas no pátio
Eu já fiz uma viajem de 3.500 kms de carro em trabalho
Eu já tive um bar de praia favorito
Eu já apanhei um susto de morte ao ver um grupo de amigos capotarem o carro para fora da estrada
Eu já fui orador numa conferência
Eu já escrevi num livro de reclamações e coisas muito sentidas que nunca chegaram ao destinatário
Eu já me enganei a mim próprio
Eu já me perdi e voltei a encontrar
Eu já participei numa festa Havaiana e num baile de máscaras venezianas
Eu já não tenho praticamente contacto com nenhum colega de faculdade
Eu já fui convidado por uma amiga para as danças de salão sem saber dançar nada de jeito
Eu já me apaixonei vezes demais
Eu já senti o poder magnético de estar frente a frente a um quadro original que nos diz muito
Eu já tive um dois cavalos de que guardo grandes recordações
Eu já fui a uma festa da espuma e cheguei a casa enrolado numa toalha de praia
Eu já andei horas à chuva
Eu já ando para tirar um curso de fotografia e de Photoshop há uma catrefada de tempo
Eu já me estendi um pouco sem ter dado por isso

1.01.2009

Tempo

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!


Miguel Torga

Assíduos do shaker

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