Não sei nada para além do que sinto.
3.31.2013
2.27.2013
Chorar [lágrimas azuis]
Apaga a luz e sorri só para ti. Resguarda-te. Resguarda-o. Ninguém te alcançará, ninguém o merece. Ninguém. Não penses em nada. Limita-te a preservar esse esgar como uma onda vagarosa. Gigante, não de altura, mas de extensão interminável, por rebentar. Prolonga-o. Prolonga-a, não no tempo que passou tão rápido mas nesse pedaço de silêncio de que todos somos feitos. Não penses em nós, peço-te. Hoje não. Só por uma vez. Insisto. Lembra-te do cheiro que mora no interior dos livros e viaja numa frase ou numa imagem até onde ela te quiser levar. Dá-lhe a mão e senta-te num qualquer banco de jardim mas não chores. Hoje não. Concentra-te nesse sorriso que é só teu. A vida por vezes parece fugir-nos na estranha distância dum respirar fundo. Onde tudo parece ter morado. Até esse amor infinito que te dói tantas vezes nos dias frios e te faz cantar baixinho no olhar. Apaga a luz e sorri. Resguarda-te. Resguardo-te no meu peito, aqui. Comigo.
2.23.2013
2.22.2013
Peso indelével
por dentro do corpo
Quente
Calada
Revirando elíptica
num remoínho d'água
Escapando aos dedos
Pesada
2.12.2013
Espalha lume na ponta dos dedos
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa
abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo
Al Berto
2.11.2013
2.06.2013
1.30.2013
1.26.2013
1.24.2013
1.23.2013
1.12.2013
Arranhão de luz
Alinhava cerejas por cima do teu corpo nu e fotografava a tua cor plasmada na sombra das paredes, a derruba-las com a respiração. Havia algo que falava naquele pássaro aprisionado na tua mão. Havia uma palavra, tricotada aos teus lábios, ainda por dizer. Havia um arranhão no lençol amarrotado, que mais ninguém via, só eu.
Foto daqui
1.10.2013
1.08.2013
Entardecer
A saudade é uma cicatriz invisível, que envelhece no avesso do corpo mas cujos dedos sempre reencontram no escuro, aflitos de lhe perder os laivos dourados do entardecer.
Tocaram-se ao de leve e demoraram o olhar. Percorreram rugas e imaginaram as ruas estreitas das suas vidas, sem nada dizer, sem nada perguntar, sem nunca se cruzar.
Apenas aquela brisa a rodopiar, sem levantar vela, com força.
1.07.2013
11.15.2012
Devagar
Desaparecido algures, num local perdido, abandonado do tempo e do mapa, na companhia de livros e um bom vinho para contemplar céu e interior. Algures, devagar.
11.07.2012
11.02.2012
Words like violence
Hoje as palavras não chegaram a ver o sol. Ameaçaram simplesmente, sucumbindo de imediato como neve sensível ao calor do papel. Palpitavam, soltas, na simplicidade universal do inglês, deixando pequenos rastos duma dança. Pegadas, aqui ou acolá. Nada de muito firme ou fácil de seguir, apenas frágeis fragmentos, intermitências que se sentem na pele. Hoje as palavras não deram as mãos, não voaram nem ficaram a assobiar pelo corpo. Tão somente cresceram como árvores caladas para o mundo, despidas de folhas e frutos. Soltando apenas, por descuido ou malvadez, uma espécie de grito extenso que espanta os pássaros, única prova da sua existência. Hoje as palavras morreram baixinho, longe da boca, ao relento do coração.
10.24.2012
Devagar
O poder das imagens e do silêncio sempre me hão-de surpreender. Puxam-nos, o olhar para fora de pé, e por vezes, sem que nos apercebamos ficam presos à roupa num alfinete invisível. Palpitam-nos por detrás das pálpebras, num sonho ou num gesto que nos lembra algo que ainda não vivemos mas que sabemos nosso, algures ou adiante, sentindo-o a puxar uma malha e a tilintar uma história ao cair no chão. Chegam a ter banda sonora: dum nocturno de Chopin a uma PJ Harvey a arranhar a sua voz numa guitarra, segundos infinitos, ao encontro de uma lua qualquer. Hoje acordei com uma buganvilia invisível, enrolada e pedalei, devagar.
10.23.2012
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