9.15.2008

Close your eyes

I wanna kiss you in Paris
I wanna hold your hand in Rome
I wanna run naked in a rainstorm
Make love in a train cross-country
You put this in me
So now what, so now what?

Wanting, needing, waiting
For you to justify my love

Hoping, praying
For you to justify my love

I want to know you
Not like that
I don't wanna be your mother
I don't wanna be your sister either
I just wanna be your lover
I wanna be your baby
Kiss me, that's right, kiss me

Yearning, burning
For you to justify my love

What are you gonna do?
What are you gonna do?
Talk to me - tell me your dreams
Am I in them?
Tell me your fears
Are you scared?
Tell me your stories
I'm not afraid of who you are
We can fly!

Poor is the man
Whose pleasures depend
On the permission of another
Love me, that's right, love me
I wanna be your baby

I'm open and ready
For you to justify my love
To justify my love
Wanting, to justify
Waiting, to justify my love
Praying, to justify
To justify my love
I'm open, to justify my love

Madonna, Justify my love

9.14.2008

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
num segundo se evocam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

9.13.2008

Improviso gourmet

Isto de receber visitas inesperadas com desejos de saladas light implica sempre alguma criatividade gastronómica. Nada que não se resolva com uma base de rúcula e tomate cherry, salmão fumado, temperado com vinagre balsâmico e um pouco de azeite, decorado com uns pinhões e acompanhado com um Vila Régia branco, bastante fresco. Foi o que se arranjou. Queriam melhor? Tivessem ido ao Magnólia.

Gravatas tristes (2nd act)

Ao que parece a menina das gravatas tristes despediu-se. Logo agora que ia finalmente fazer-lhe a vontade e aceder ao tão apregoado pedaço de seda “alegre”. No entanto, a visita não foi em vão, atendendo à profícua assessoria de moda.

A nova colega (também muito simpática e sorridente) elucidou-me que as novas tendências são os roxos (imaginem) e que "realça os meus lindos olhos verdes". Desculpem lá, mas “o que é demais é moléstia” (pensei para com os meus botões – alegres espero!). Por simpatia acabei por trazer uma azul. Foi o mais próximo que consegui chegar. É que isto de gravatas alegres tem, ao que parece, muito que se lhe diga.


Continuação de post anterior

9.12.2008

My joy



My joy, the air that I breathe
My joy, in God I believe
You move me

My joy, the blood in my veins
My joy, flows in your name
You move me

I'm not a mountain, no
You move me

My joy, heavenly bliss
My joy, the pleasure I miss
You move me

I'm not a mountain, no
You move me

Depeche Mode, My Joy

9.11.2008

O quadro inacabado

Porque é assim que ele vê as coisas, no fim. Primeiro, vê-as completamente nítidas, como todos nós as vemos, e, depois vê-as com um olhar que é só dele, e então elas ganham a forma desse olhar. Aí é que está o génio dele: vê o que todos vemos, mas vê também para além disso.
Um quadro não se pinta só com o olhar, pinta-se também com os sentimentos, com a alma, com o estado de espírito, com os sonhos, os pesadelos, tudo isso. É o consciente e o inconsciente, o visível e o obscuro. É isso a arte moderna.


Miguel Sousa Tavares


Foi assim, de forma imprevisível e inexplicável que se apaixonou pela forma desse olhar. Pelo infinito condensado por quatro tábuas. Numa vela esticada, que nos transportava para longe. Algures. Onde uma história se desenrolava na cálida lentidão do passar de nuvens. Onde mil formas voláteis que se misturavam numa nitidez crua. Quase desprotegida. Rebentando frágeis como bolhas que permaneciam numa sensação quente de final de tarde. Onde as cigarras cantam e a planície se espreguiça. Perdendo-se, lá longe, no horizonte. Onde tudo faz tanto sentido.


Dedicado a uma futura mãmã. Das melhores, só que ainda não sabe.

9.09.2008

Arquitectura #1

Gosto muito de arquitectura. É uma das minhas recentes paixões, levando-me a afirmar hoje (a anos de distancia dessa tomada de decisão) que, muito provavelmente, seria arquitecto.

Não tenho um designer ou estilo favoritos. Gosto de vários. Identifico-me sobretudo com o estilo contemporâneo e clássico, gostando particularmente da sua combinação em ambientes minimalistas.

O que mais me fascina, na arquitectura, é o seu poder de criação de ambientes. De transformar o espaço. A ligação do natural com a criação humana, numa simbiose estética.

Agrada-me mais o restauro do que o que nasce de raiz. História com laivos de modernidade. A combinação de materiais simples com peças nobres. Texturas tácteis. Tecidos. Cores. Quentes ou frias. Jogos de luz. A ocupação ou arejamento dos espaços e lugares. Sobressaindo a aura e a alma escondida dos objectos.

Adoro também a funcionalidade e o design de certos objectos e algumas peças per si (arte nova ou art dêco, por exemplo), assim como, certos estilos mais ousados (ou difíceis de enquadrar) como os ambientes árabes.

Em Portugal, apesar de existirem arquitectos fantásticos, não existe ordenamento de território ou conservação do património, o que não deixa de ser um contra senso, num país que pretende dar cartas no turismo. Não vejo forma de diferenciarmos ou valorizarmos o nosso turismo que não seja por essas duas vias, sem o esgotar rapidamente no marasmo indiferenciado da banalidade.

Perco-me completamente em livros de arquitectura e desing e decidi que passasse a constar, como rubrica, neste espaço, também ele arejado.

9.07.2008

O que é o espaço?

O que é o espaço
senão o intervalo
por onde
o pensamento desliza
imaginando imagens?

O biombo ritual da invenção
oculta o espaço intermédio
o interstício
onde a percepção se refracta

Pelas imagens
entramos em diálogo
com o indizível

Ana Hatherly

9.06.2008

Close your eyes



Some day he'll come along,
The man I love
And he'll be big and strong,
The man I love
And when he comes my way
I'll do my best to make him stay.

He'll look at me and smile
I'll understand ;
And in a little while,
He'll take my hand ;
And though it seems absurd,
I know we both won't say a word

Maybe I shall meet him Sunday
Maybe Monday, maybe not ;
Still I'm sure to meet him one day
Maybe Tuesday will be my good news day

He'll build a little home
Just meant for two,
From which I'll never roam,
Who would - would you ?
And so all else above
I'm waiting for the man I love.




George Gershwin, The Man I Love, By Larry Adler and Kate Bush

9.05.2008

Reuniões

Ainda não perdi a esperança de, vivendo em Portugal, poder vir a ser remunerado à reunião. Seria uma forma simples de me poder reformar brevemente.

9.04.2008

Press release

A Interpol publicou hoje um duro comunicado questionando, uma vez mais, a eficácia da investigação policial portuguesa. Lia-se, no referido documento, ser obvio que o principal suspeito pela morte do Presidente do Grupo Mosqueteiros ser o cardeal Richelieu.

9.03.2008

Encontro

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra.


Mário Lago

9.02.2008

O Fim

Ontem julguei ter visto a luz
Nas horas brancas conduzi o despertar
E fui subindo a escada
Que me separava do meu fim

Abandonei quem já passou
Fechei os olhos e previ o que encontrei
E foi nesta viagem
Que percebi que não estou só


Jorge Palma



Gostava de poder lembrar o embate. Em que momento ocorrera? Esse pequeno fragmento de pó. Invisível a olhos nus. Que estalara, para sempre, esse seu vidro de mundo. Ecoando uma sede de doença. Que lhe ancorara raízes profundas. Gretando o fundo de seu lago interior. Atraiçoando peixes coloridos e anémonas tranquilas. Fragmentos soltos de algo outrora seu ou talvez nunca alcançado. Tornando o ar irrespirável. Frágil. Etéreo.

Caminhava pelo abismo a galope. Sentia-o no apagar das luzes. Desprendendo-se de tudo ao redor. Ouvia o som do vidro em riscos de instáveis direcções. Serpentes vivas. Famintas. Gretando gemidos de gelo. Pesar? Chamamento? Não sabia, ao certo, mas o caminho parecia chegar ao fim. Finalmente ao fim.

9.01.2008

Piano

“O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio”

Georges Braque


Musicalmente falando seria, talvez, um piano de cauda Steinway. Um longo espelho negro de sete oitavas - ébano e marfim - colocado no centro de uma sala ampla, de tecto alto e boa acústica. Prolongando no espaço beijos tácteis. Leves e longos. Suspendendo o tempo no espaço. A pairar.


8.31.2008

The Hindu Times



I get up when I'm down
I can't swim but my soul won't drown
I do believe I've got flare
I got speed and I walk on air

Cos god give me a soul
In your rock n' roll band
Cos god give me a soul
In your rock n' roll band
I can get so high I just can't feel it
I can get so high I just can't feel it

In and out my brain
Running through my veins
Cos you're my sunshine
You're my rain

I get up when I'm down
I can't swim but my soul won't drown
I do believe I've got flare
I got speed and I walk on air

Cos god give me a soul
In your rock n' roll band
Cos god give me a soul
In your rock n' roll band
I can get so high I just can't feel it
I can get so high I just can't feel it

In and out my brain
Running through my veins
Cos you're my sunshine
You're my rain

I can get so high I just can't feel it
I can get so high I just can't feel it
I can get so high I just can't feel it
I can get so high I just can't feel it

In and out my brain
Running through my veins
Cos you're my sunshine
You're my rain


Oasis, The Hindu Times

8.30.2008

Noites calmas



Calor de luzes pela noite densa. Movimento que se esvai. Aos poucos. Arrefecido na sua eterna e lânguida espera de silêncios. O início fora talvez assim: de silêncios escuros. E era a noite quem melhor o lembrava.

A mesma realidade é infinitamente diferente, chegando a parecer repetida. Como um zoom fotográfico desfocando-se em pontos. Passando a assemelhar-se às células do próprio fotógrafo que lhe cede o dedo e o olhar.

Qualquer olhar já é passado. No tempo que leva à percepção. E não passa dum jogo de luz, que julgamos falsamente nosso.

Gostava desse desprendimento de posse do olhar por si só. De ouvir as artérias da noite sussurrarem-lhe ímanes. Sentir a sua presença aveludada a cada inspirar de ar frio. Tirar algumas fotos. Ténues tentativas de aprisionar essas danças invisíveis. Apenas perceptíveis em algumas noites calmas.

8.29.2008

Mistério de luz

noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras

hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
ou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se

onde se pode - num vocabulário reduzido e
obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir

apesar de tudo
continuamos e repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial


Al-Berto

8.28.2008

Valeu?

- “Oi! Estava mesmo à tua espera! É só um tirinho! Valeu?”
Desculpe? “Oi”? “à tua”? “tirinho”? “valeu”? Estarei em Ipanema ou em Copacabana? Não, parece que estou mesmo em Lisboa!
É nestas alturas que (queiram desculpar) assentaria como uma luva o uso de uma arma de fogo (silenciosa, note-se, nada de grandes estardalhaços, que prezo bastante o silêncio) para, depois do referido “tirinho”, poder retribuir convenientemente o cumprimento com um ligeiro baixar de cabeça e um saudoso “à tua”. “Valeu”.


PS: Não tenho nada contra brasileiros mas já me faz um bocadinho de espécie que certos estabelecimentos não tenham nenhuma preocupação na forma de atendimento dos seus clientes. Mas provavelmente é defeito meu.

Assíduos do shaker

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