Esses que pensam que existem sinónimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuances de uma cor.
Não falamos há tanto tempo.
O meu silêncio não é falta de interesse. De querer saber como estás. De querer saber dos teus problemas. De querer novidades. De te querer escutar. Longa e pausadamente. O meu silêncio é um esforço. Uma luta. O meu silêncio é aprendizagem e amor próprio. É até um pouco de mágoa pela tua falta de interesse. O meu silêncio é, talvez, um falso acreditar que seja distração. O meu silêncio é uma ave branca. Presa ao chão. O meu silêncio é sobretudo nada querer cobrar. O meu silêncio é uma mão aberta que tapa a boca de uma palavra.
Não falamos há tanto tempo.
Mine, immaculate dream, made breath and skin, Ive been waiting for you,
Signed, with a home tattoo, happy birthday to you was created for you.
(cant ever keep from falling apart.. at the seams)
(cant I believe youre taking my heart.. to pieces)
Ahh, itll take a little time, might take a little crime to come undone
Now well try to stay blind, to the hope and fear outside,
Hey child, stay wilder than the wind
And blow me in to cry.
Who do you need?
Who do you love?
When you come undone.
Words, playing me deja vu, like a radio tune I swear Ive heard before,
Chill, is it something real, or the magic Im feeding off your fingers
(cant ever keep from falling apart.. at the seams)
(can I believe youre taking my heart.. to pieces)
Lost, in a snow filled sky, well make it alright, to come undone,
Now well try to stay blind, to the hope and fear outside,
Hey child, stay wilder than the wind -
And blow me in to cry.
Fade...
Duran Duran, Come undone
Vou-vos confessar uma coisa. Não andava num comboio suburbano desde os meus tempos de faculdade, e já lá vão uns anitos (que não revelo sob pena de me lembrar quantos). Sou frequente utilizador de Alfas pendulares e até de intercidades (menos) mas (chamem-me tio) o termo suburbano é definitivamente contra a minha natureza ( urbana, lá está). De qualquer forma notei melhorias significativas do progresso, que espantem-se os mais incrédulos, também se dão na CP. Em primeiro lugar os ditos comboios (lá estou eu, deixem-me controlar) cresceram, havendo lugar para todos, para grande satisfação dos desgraçados habitantes de algumas localidades que ficavam sempre de pé. Depois têm mais conforto, apesar de confessar um certo saudosismo dos evoluidíssimos, mas curiosamente incompreendidos, bancos ortopédicos (leia-se de pau). No entanto, o que mais me impressionou nem foi a maior frequência de viagens nem os seguranças nas estações. Fiquei deveras impressionado, não com a voz da menina a indicar a próxima paragem (como no metro) mas sobretudo pela delicadeza com que se referiu à chegada de Chelas: "Próxima paragem Chelas. Cuidado com o degrau”. Fantástico. Sou mesmo preconceituoso. Perdoem-me as pessoas de Chelas, é que sempre tive em mente (erradamente estou a ver) que em Chelas tinha de ter cuidado com os assaltos. Não com os degraus. Viva o progresso. Viva a CP.
Tudo se funde. Os móveis do salão que falam no escuro das noites frias. A ferida aberta que demora a sarar. O corpo inanimado. Exausto. A nudez pálida da lua. A árvore desmembrada, estalando na lareira. Soltando memórias. Incandescentes. Julgadas extintas. Também se funde a memória. E a prata dos talheres. E o cheiro do jasmim. Tudo se funde. O nosso amor. O bem e o mal até. Como a saudade num beijo. Como o calor da minha mão na tua pele.
Don't want to lose my shirt
Don't want to dig the dirt
Don't want you to get hurt
Can't help but I'm a flirt
Don't want to take your drugs
Don't want to be a slug
Don't want to overdress
Don't want to make a mess
Don't want you to confess
Not under duress
Don't want be untrue
I want to be with you
Don't want to lose my nerve
Don't want to throw the curve
Don't want to make you swerve
Don't want what I deserve
Don't want to change the frame
Don't want to be a pain
Don't wanna stay the same
U2, Slug, 2001: A Space Odyssey OST
Oooooh
Can you hear me now?
Yeeeeeaaahhhhhh
Am I coming through?
Is it sweet and pure and true?
Devil came by this morning,
said he had something to show me,
I was looking like I'd never seen a face before,
here we go now let's slide in through the open door.
Pictures of things that I've done before,
circling around me I'm here on the floor,
I'm dreaming this and I'm dreaming that,
regretting nothing think about that.
I see waves breaking forms on my horizons,
yeah I'm shining,
I'm seeing waves breaking forms on my horizons,
lord I'm shining,
Oooohhh are you hearing me, like I'm hearing you
You know I always lost my mind,
I can't explain where I've been,
You know I almost lost my mind,
I couldn't explain what I've seen.
Well I'm happy, am I to learn (line may not be right)
too find that the images are fading away.
I see waves breaking forms on my horizons,
yeah I'm shining,
I'm seeing waves breaking forms on my horizons,
lord I'm shining,
Oooohhh are you hearing me, like I'm hearing you
You know I always lost my mind,
I can't explain where I've been,
You know I almost lost my my mind,
I couldn't explain the things I've seen.
But now I think I see the light
Lend me a hand,
lend me your hand,
Lend me a hand,
lend me your hand,
Lend me your hand.
I´ve seen waves breaking forms on my horizons,
yeah I'm shining,
I'm seeing waves breaking forms on my horizons,
lord I'm shining,
Oooohhh are you hearing me, like I'm hearing you
You know I almost lost my mind,
but now I'm home
and I'm free,
Did I pass the acid test?
Ohhhhhh my my my my my my mind
You'd better go to bed now
My heart is so damn free,
You know I always lost my mind,
but now I'm home and I'm free,
Did I pass the acid test?
Ohhhhhh my my my my my my mind
Chemical Brothers with Richard Ashcroft - The test
Começava a escrever sem saber o que ia escrever. Acreditava que eram as palavras que se iam escrevendo umas às outras, cada uma trazendo consigo a seguinte, pois que a vontade e a premeditação me impediriam de atingir o meu objectivo, que desconhecia, que só se revelaria pouco a pouco conforme as frases, os parágrafos, se fossem escrevendo. Qualquer frase pensada antes de escrever não prestava para nada, disso tinha a certeza. O que mais importava era o que me transportava sem que pudesse saber para onde. Tinha também a superstição de que o tamanho da história que escrevia não podia ultrapassar uma página, simplesmente porque o ter de mudar de página quebrava a magia de que ela, a história, precisava para viver. Eram, por isso, histórias do tamanho de uma mão.
Pedro Paixão
Devíamos viver na água
envoltos, na ausência da palavra
Tocados pelas algas do silêncio.
Longas, acenando livres
aos olhares demorados. Quase tácteis.
À distância de uma mão
unindo em círculos perfeitos - dois a dois
Tu e Eu, na frágil forma da bolha de ar
perdida a flutuar.
Olha para ela, já rebentou
do tanto que te vimos
sem nada dizer.
Matámos a sede
rodeados de mar.
Tinha envelhecido numa semana mais do que num ano. Uma semana lixada, que deixara as suas marcas e limalhas no ar. Nos cabelos brotara uma ténue geada que viera para ficar. Prateada. De um brilho lunar. Uma ruga adormecida espreguiçava-se agora no rosto. Discretamente. Baloiçando atenta com o piscar dos olhos. Num trapézio lento e invisível. No seu corpo morava agora a cor misteriosa dos espelhos. Reflectindo a luz. Resguardando-se. Uma armadura de nevoeiro com chave de enigma. Menos dada. Menos espontânea. Mais regrada mas não perdida. Uma ferrugem. Uma sombra esguia. A sombra dum abraço inacabado.
There are twenty years to go
And twenty ways to know
Who'll wear, who'll wear the hat
There are twenty years to go
The best of all I hope
Enjoy the ride
The medicine show
Thems the breaks
For we designer fakes
We need to concentrate on more than meets the eye
There are twenty years to go
The faithful and the low
The best of starts, the broken heart, the stone
There are twenty years to go
The punch drunk and the blow
The worst of starts, the mercy part, the phone
And thems the breaks
For we designer fakes
We need to concentrate on more than meets the eye
Thems the breaks
For we designer fakes
But it's you i take, cause you're the truth, not I
There are twenty years to go
A golden age I know
But all will pass will end too fast you know
There are twenty years to go
And many friends I hope
Though some may hold the rose
Some hold the rope
That's the end - and that's the start of it
That's the whole - and that's the part of it
That's the hide - and that's the heart of it
That's the long - and that's the short of it
That's the best - and that's the test in it
That's the doubt - the doubt, the trust in it
That's the sight - and that's the sound of it
That's the gift - and that's the trick in it
You're the truth, not I, you're the truth, not I
You're the truth, not I, you're the truth, not I
You're the truth, not I, you're the truth, not I
You're the truth, not I, You're the truth, not I.
Placebo
Ingredientes principais: verbo transitivo ou reflexo (juntar); substantivo masculino (impossível);
Ingredientes secundários (mas não menos importantes): personagem feminina; personagem masculina; esquina aguçada e grão de poeira;
Nível de dificuldade: Dificílimo (mas não impossível)
Modo de preparação:
A personagem (feminina, primeiro as senhoras) impossível de juntar caminha calmamente pela rua cinzenta, de betão. Estão a ver as dificuldades? Começam já aqui, no país da calçada portuguesa. Mas adiante. Caminha, num passo certo, quase metódico. Nem muito acelerando, nem muito lento. Atente-se, é importante o ritmo para que as claras não fiquem em castelo. Caminha nesse passo preciso, pelo piso meio molhado pela chuva que ameaça voltar (pois a massa está a ficar demasiado consistente). Pensa no novo filme que quer ver, depois do trabalho, no livro do sniper que ouviu falar, nos anjos de Lisboa, e no sotaque russo que parece ouvir daquela janela do primeiro andar. Tudo ao mesmo tempo, mexido lentamente.
A personagem (masculina) impossível de juntar caminha perpendicularmente e na sua direcção. Apressado (pois o recheio quer-se em ponto rebuçado). Volta para traz pois esqueceu-se duma coisa (que não revelo) na garagem – mais propriamente no carro. Avança contra a corrente sem grandes descrições (pois não o conheço, mas também não interessa nada pois dizem que os homens são todos iguais, mesmo os impossíveis de juntar). Apenas um pormenor: sapatos de sola.
As duas personagens (impossíveis de juntar) aproximam-se vertiginosamente da esquina aguçada (a mais afiada da região em homenagem à minha nova faca de sushi). Mesmo ao dobrar a esquina a chuva não se contem (lembrando que a massa já quase não se consegue mexer) e cai violentamente. É nesse preciso momento que entra a única especiaria da receita – o grão de poeira. A personagem feminina, na densidão cinzenta da rua, repara que a poeira tem um brilho mágico, nunca visto e fica especada a olhar para o chão, enquanto que a personagem masculina (devido talvez aos sapatos de sola) escorrega e desequilibra-se.
Talvez por ser uma receita (para juntar duas pessoas quase impossíveis de juntar) um pouco sigilosa e bastante invulgar, é a personagem masculina que cai nos braços da personagem feminina, levando-a também a juntar-se ao conforto de uma poça de água. Alguns puristas afirmam que a receita apenas é totalmente conseguida quando se consegue ler no reflexo da água “impossible is nothing” em tons brilhantes de poeira. Mas disso já não estou certo, talvez por ser um slogan publicitário e eu apenas perceber de receitas.