2.09.2008

O código

A claridade é uma justa repartição de sombras e de luz


Goethe, Johann


Não ver. Não falar. Ausentar-me do mundo. Da luz. Os pensamentos não se apagam nunca. Flutuam, à tona. Ondulando sem direcção. Encontram caminhos até nós através de um código antigo. Escrito algures na minúcia dos tecidos. Cravado nas células. Também elas sempre móveis. Mutáveis.

Não agir. Não ler. Não sentir. Ser a antítese do ser. Resguardar o corpo de todas as formas de vida. Baralhar essa réptil matemática que todos entrelaça e comprime. Adiá-la ao máximo. Diluir a existência na forma dos objectos. Reduzi-la a uma sombra. Ver a sua imagem.

Não sonhar. Não esperar. Recusar o movimento. Permanecer algures entre o sono e a realidade. Na ténue linha que separa os dois mundos. Hibernar da claridade para tactear essa sombra que paira sempre tão perto. Tão perto.

2.08.2008

Por que?

Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?


Carlos Drumond de Andrade

2.07.2008

Frase

Uma frase é uma cobra que com tamanho fixo percorre, se tiver força, longos caminhos. Uma frase não deve ser o percurso, deve ser o comboio. E se não entendes a diferença não escrevas.

Gonçalo M. Tavares

2.06.2008

Despir

Despir-te na lentidão infinita duma carícia. Pétala a pétala. Num ondular de mar. Soltando, aos poucos, o peso opaco das vestes. Com uma precisão cirúrgica. Absorvendo cada momento. Cada contorno. Cada pausa. Qualquer palavra estaria a mais. Morreria, de desnecessária. Despir-te suave e demoradamente adiando a trepadeira de sentidos que, sem se tocarem, já se entrelaçam.

2.05.2008

Certeza

Ninguém presta à sua geração maior serviço do que aquele que, seja pela sua arte, seja pela sua existência, lhe proporciona a dádiva de uma certeza.

James Joyce



Queria a certeza. Nada mais. Exterminar a mais pequena dúvida com as próprias mãos. Por asfixia. Por ausência de espaço. Leva-las, uma a uma ao rebentar de bolha de sabão. Ao vácuo despido da certeza absoluta. Vazio. Tranquilo. Sem caminhos sinuosos. Sem cinzentos. Apenas a certeza geométrica. Preto no branco. Respirar fundo. Outra vez. Respirar fundo e enfim prosseguir.

2.04.2008

É Carnaval, ninguém leva a mal

O Carnaval deve ser uma quadra fantástica para certas pessoas. Passam a vida inteira mascaradas e sempre têm três dias para se poderem libertar.

2.03.2008

Saber

Há os que querem vencer e mandar, há os que anseiam por amar ou se contentam em possuir, há os que querem ganhar dinheiro ou matar alguém ou alguma coisa dentro de si, ou o que quer que seja, e há infinitas coisas que cada um quer, tem de querer, enganar-se ao querer, se quer continuar. Eu queria saber, um estranho querer, um nobre e ridículo querer. Só que esse querer que persegui, com uma tenacidade e um esforço invulgares, provinha de uma confusão, de um erro meu. O que eu queria era salvar-me através do saber. Mas isso, salvar-se, é afinal, e só isso, o que todos querem – que mais se poderá querer? Mas isso, salvar-se, o que quer dizer? Eu não soube que era isso o que queria, agora não sei o que isso quer dizer. Assim todo esse tempo foi tempo iludido, um tempo de desperdício, uma partida que me fiz e onde justamente me perdi.


Pedro Paixão

2.02.2008

Little wing




Now she's walking through the clouds
With a circus mind
That's running wild
Butterflies and zebras
And moonbeams and fairytales
All she ever thinks about is riding with the wind

When I'm sad she comes to me
With a thousand smiles
She gives to me, free
It's alright, it's alright she says
Take anything you want from me
Anything

Now she's walking through the clouds
With a circus mind
That's running wild
Butterflies and zebras
And moonbeams and fairytales
All she ever thinks about is riding with the wind

When I'm sad she comes to me
With a thousand smiles
She gives to me, free
It's alright, it's alright she says
Take anything you want from me
Anything

Fly Little Wing...
I want her to fly

The Corrs

2.01.2008

1.31.2008

Night fall

Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!


Antero de Quental

1.30.2008

Quero falar-te dos meus sentimentos

“Quero falar-te dos meus sentimentos”. Foi assim que a comunicação começou.
Comunicar é como jogar andebol. Eu atiro a bola e tu apanha-la. Depois, tu atiras a bola e eu apanho-a . E, outra vez, eu atiro a bola...
“Quero falar-te dos meus sentimentos.” Foi assim que a comunicação começou.
Tal como precisamos de atirar a bola para trás e para a frente para jogar andebol, precisamos de falar uns aos outros dos nossos sentimentos para comunicar.

Se estamos demasiado perto ou excessivamente afastados uns dos outros, não é fácil jogar andebol. A comunicar é o mesmo. Se estivermos muito perto ou demasiado afastados dos nossos amantes ou dos nossos amigos ou de um filho ou dos nossos pais, não será fácil comunicar com eles. A comunicação não começa com ambas as pessoas a falar ao mesmo tempo. O primeiro gesto tem de partir de uma delas. Alguém tem de atirar a primeira bola. Mas você pode não querer ser o primeiro a atirar a bola – pode querer esperar que alguém lha atire. (Porque quando a atira e ninguém tenta apanhá-la, fica infeliz.)

Há alturas em que se sente inesperadamente rejeitado. Há alturas em que atira a bola, querendo jogar andebol com outra pessoa, e acaba por ver essa pessoa atirar a bola a uma terceira. Habituamo-nos desde cedo a que algumas pessoas não ouçam o que lhe queremos dizer. “Agora estou ocupado”, dizem elas. “Falaremos mais tarde, está bem?” E assim, acabamos por pensar “Afinal o que eu digo não interessa”. É por isso que é preciso ter a coragem para ser o primeiro a atirar a bola. Algumas vezes, quando finalmente arranjamos coragem para atirar a bola a outra pessoa, ela desvia-a para o lado. Alguma vez isto lhe aconteceu? Ou lançamos uma bola com toda a nossa alma, e a pessoa a quem atiramos devolve-a com um pontapé... Alguma vez isso lhe aconteceu? Ou atiramos uma bola muito rica e muito grande, que nos é devolvida muito mais magrinha... Alguma vez isso lhe aconteceu?

Já alguma vez disse a si próprio, “Em vez de atirar a bola eu mesmo, e ser infeliz, é melhor não a atirar nunca e esperar que alguém ma atire”? Mas e se ninguém a atira...?
Você não é o único a ser inesperadamente rejeitado, a receber a bola de volta, intocada, a ser infeliz. Talvez dê também pontapés nas bolas algumas vezes, e faça alguém infeliz, sem saber que o está a fazer! Todos nós queremos que as bolas que atiramos sejam aceites. Todos nós queremos ter alguém que ouça o que temos para dizer. Todos nós queremos que os outros saibam que existimos. Mas quem é que realmente está pronto para aceitar todos aqueles que querem que os outros dêem por eles? Se a pessoa a quem atiramos uma bola com toda a nossa alma a apanhar, e se nós apanharmos a bola que essa pessoa nos lança de volta, então um acto de comunicação acontece. Mas às vezes sentimos, “Ele não a apanha do modo como eu queria que o fizesse!” Ou, “Não há maneira de eu poder apanhar a bola que ele me atirou!”

Há sempre infelizmente muitas tentativas de comunicação que não chegam a concretizar-se. Quando as comunicações não concretizadas se acumulam, as nossas emoções tornam-se instáveis. Tornamo-nos tristes , preocupados, zangados, preconceituosos, pouco amigáveis. E, de vez em quando, explodimos... Então, pouco a pouco, chegamos a um ponto em que não sentimos nada... E mais tarde ou mais cedo, estamos sós.
Se a pessoa a quem atirámos a bola não a apanhou como queríamos não a culpemos por isso. Talvez seja simplesmente porque ela não é uma boa jogadora de andebol. Talvez seja só porque estava nervosa e a mão lhe escorregou. Talvez seja só porque a nossa bola era demasiado pesada.
Se o seu patrão ou os seus pais ou o seu parceiro nunca o deixam dizer de sua justiça, como é que isso o faz sentir-se? Se, pelo contrário, lhe atiram três ou quatro bolas ao mesmo tempo, como é que isso o faz sentir-se?

A sua capacidade de comunicar pode ser avaliada pela reacção da pessoa com quem está a tentar comunicar. Mesmo que você não o queira admitir. Há uma boa e uma má maneira de comunicar.
Trocar comunicação é uma boa maneira de comunicar. Não trocar comunicação é uma má maneira de Comunicar. É igualmente mau trocar alguma coisa que parece Comunicar – mas que, na verdade, o não é.
O que significa parecer comunicar? Falar somente sobre o tempo, ou sobre desportos, ou sobre o sexo oposto é parecer comunicar. Falar somente do papel que desempenhamos na vida (como alguém mais velho, como professor, como jovem, como marido, como esposa) é parecer comunicar. Quando se trocam banalidades apenas parecidas com comunicar não se corre o risco de aparentar solidão ou sentir dor. Não temos de nos preocupar com sentimentos ou raciocínios inesperados. Mas também não experimentamos a alegria súbita e irresistível – ou o sentimento de estarmos realmente vivos.

Se o comportamento da pessoa com quem se está a comunicar não muda, quer dizer que não houve realmente qualquer comunicação entre vós. Houve apenas jogos sociais. A verdadeira comunicação gera sempre um novo comportamento. Há uma diferença entre comunicar com pessoas e simplesmente confirmar relações existentes entre elas. As relações tornam-se rígidas. Comunicar pode mudar isso.
Que tipo de relações quer ter? Uma das dificuldades que há em comunicar é que sempre que dizemos que queremos ser amigos de alguém estamos, na verdade, apostados em mostrar a essa pessoa que somos um pouco melhores do que ele ou ela é.
Que espécie de relacionamentos quer ter com outra pessoa? Um relacionamento unilateral? Querem ignorar-se um ao outro? Jogar com brutalidade? Ou esconder os vossos sentimentos? “Se ao menos eu fosse melhor do que ele ou ela” diz você. Sem nos apercebermos disso, usamos muitas vezes a comunicação como um meio de competir. Lembre-se porém: Só se atinge um novo nível de comunicação com aquilo a que pode chamar-se compreensão. As pessoas mudam o seu comportamento quando se sentem compreendidas.

Gostar de outra pessoa não é necessariamente compreende-la. Se há uma pessoa de quem simplesmente não goste, esforce-se por conhecer primeiro o “eu” que não gosta dessa pessoa. A forma como conhecemos outra pessoa coincide inteiramente com a forma como nos conhecemos a nós próprios. Conhecer é saber ouvir o que a outra pessoa está a dizer.
“Quero falar sobre os meus sentimentos”, pode você dizer, “mas ninguém me ouve.” Não é o único que pensa isto muitas vezes. De facto, isso é o que acontece sempre que as pessoas tentam usar a comunicação para competir, em vez de conhecer. Enquanto pensar que a capacidade para comunicar idêntica à capacidade para falar, nunca experimentará um sentimento de união com outra pessoa. A capacidade para comunicar depende da capacidade para fazer a outra pessoa falar – e da sua capacidade para ouvir o que ela está a dizer. Só se ouve verdadeiramente quando se ouve tudo o que a pessoa está a dizer sem julgar, ou negar, ou comparar essa pessoa connosco.

Se se está verdadeiramente a ouvir, e se está preparado para compreender, será fácil para a outra pessoa falar. Mesmo que a bola seja difícil de apanhar, ou tenha sido atirada debilmente,
se fizer o seu melhor para a apanhar... consegue! Não conseguirá apanhar nenhuma bola se se limitar a esperar. Se está pronto realmente para conhecer, dê um passo em frente. Use o seu corpo todo. Estenda a sua mão e descubra o que está mesmo à sua frente. Se pensa que compreender outra pessoa significa concordar com tudo o que ela diz e faz, a compreensão não será fácil.

Conhecer significa ouvir tudo o que a outra pessoa tem para dizer a tomar o que a outra pessoa diz pelo seu valor facial. Se há compreensão, pode ter-se pensamentos diferentes, interesses diferentes, sentimentos diferentes – e ainda assim estar juntos. Quando o conhecimento ocorre, atinge-se um outro patamar de comunicação. Quando um determinado patamar de comunicação se cumpre, sentimo-nos um pouco aliviados. Quando duas pessoas se encontram pela primeira vez, ambas estão nervosas. O problema não é o nervosismo. O problema está em tentar escondê-lo.

Às vezes, você preocupa-se tanto em atirar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. Ou preocupa-se tanto em apanhar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. No próprio instante em que deixa de agir como se nada estivesse errado, começa a conhecer-se a si mesmo. Somente depois de você se conhecer a si mesmo pode ocorrer a verdadeira comunicação.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.” No momento em que começar a sentir deste modo, começa a atirar bolas que são fáceis de apanhar. (É impossível que alguém que não tenha jogado
muitas vezes andebol apanhe bolas rápidas e em curva, mesmo que queira muito consegui-lo. Se a pessoa com quem está a jogar não estiver pronta para o conhecer, atire-lhe uma bola que seja fácil de apanhar.)

Vivemos graças à comunicação. Quando a nossa comunicação com alguém se altera, a nossa relação com os outros muda também. Tal como muda a nossa relação com o trabalho e a nossa relação com a vida. Até a nossa relação connosco mesmos mudará igualmente.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.”
É assim que a comunicação começa.


Mamoru Itoh


Para uma menina não desistir nunca de comunicar.
Para algumas pessoas a quem estou cansado de enviar bolas, sem retorno. Para mim próprio. Para quem quizer...

1.28.2008

The devil legs

Nas tuas pernas andam demónios e param acidentes. Beleza obscena de teia, que apetece morder. No seu cruzar de riscar de fósforo inflama a mais sublime sedução. Lenta. Letal.

Nas tuas pernas mora o premeditar animal da tempestade. O esticar do silêncio que antecipa as grandes catástrofes. O abismo. O perigo. O infinito.

Nas tuas pernas espreguiça-se o diabo ensonado preparando os primeiros passos da, já quente, manhã.

1.25.2008

1.24.2008

Pilar, a ave pintada

Quem te pintou Pilar? Que quadro é esse que é o teu Pilar? Um quadro vivo e delicado. Pintado apaixonadamente na minúcia do carinho. Com os dedos lentos e demorados sobre os contornos do rosto.

Para quem te pintaste Pilar? Que cores são as tuas que desfalecem tudo em redor. No tom das searas para te realçarem. Que se movimentam mesmo na tua imobilidade.

Nelas vi a gueixa e o shaman apache. Mas não é nada disso pois não Pilar? As tuas cores não se definem. Observam-se e preenchem os espaços. A alma. Piscaste-me o olho. E isso basta-me Pilar.

1.23.2008

Mahler revisitado

Acordara cansado. Do peso dos sonhos talvez. Sonhos ou pesadelos? Não o sabia, pois raramente conseguia lembra-los. Apenas a certeza dos ter tido nessa noite. Intensos e em catadupa, tinham-se sucedido, uns atras dos outros, quase aos empurrões, tentando, por certo, dizer-lhe algo importante.

Tentava permanecer naquele estado de embriaguez sonolenta, algures entre este mundo e o outro. Esticando ao máximo o que ainda o podia ligar a eles. Imóvel, para ver se os enganava. Em vão. Tentava lembrar-se, mas nada. O esforço inglório apenas aumentava o cansaço.

Permanecera assim, estranho e cansado, todo o dia. Envolto numa música em espiral, quase indecifrável, com o corpo desprovido de movimentos. Em câmara lenta, visitado momentaneamente por flashes de imagens familiares que logo se despediam numa espécie de riso irritante. Não os sentia bons ou maus o que aumentava fortemente a sua indisposição. Que lhe queriam dizer? Será que alguma vez o iria saber?

1.22.2008

Omissões

Mais difícil do que dizer certas coisas é, muitas vezes, não as dizer. Calá-las. Humedecer-lhes a voz. Guarda-las em nós, por tempo indeterminado, para não ferir alguém. Alguém a quem queremos bem. Alguém que nos magoa de não as perceber, tão evidentes. Fingindo que não as sentimos. Ocultando-as. Fazendo parecer que está tudo bem quando apetece libertá-las num pássaro. Resistir-lhes. Amordaça-las. Acorrentá-las em nós. Contorcermo-nos com elas sem pestanejar. Sem as fazer transparecer no olhar. Há um acto de amor profundo em certas omissões. Pena que, por vezes, sejamos tão bons actores. Pena que por vezes não nos leiam os sinais. Pena. Deixa lá, são os meus olhos, não a minha boca.

1.21.2008

A incerteza da demência

"Se me esquecer de ti, Jerusalém que seque a minha mão direita"


Em que é que está a pensar meu caro?
Em que é que está a pensar? A resposta verdadeira a esta questão apenas poderia ser conhecida pelo próprio, não havia partilha possível. Todos podiam mentir e portanto todos podiam estar seguros. No entanto, o assustador dessa pergunta era o oposto: nenhum dos doentes poderia provar que dizia a verdade. Como provar que se está a pensar num determinado assunto? O Doutor Gomperz só poderia acreditar, aceitar como verdadeiro, sem prova.
Assim, em última análise, a cura completa, que depois de ter passado pelos actos do doente terminava nos pensamentos, era determinada por um evidente puro arbítrio. Gomperz teria que acreditar que o doente dizia a verdade sobre os seus pensamentos, e que portanto não pensava em nada perigoso ou fora do normal; fixava-se assim em assuntos úteis e concretos.
No doutor Gomperz havia ainda uma espécie de moralismo mínimo infiltrado nos seus julgamentos sobre o estado do doente. Gomperz por vezes atrevia-se mesmo a colocar a um paciente a seguinte questão: sabes em que deves pensar? Tal como o professor de matemática ou gramática, fazia uma pergunta concreta sobre um determinado conteúdo, Gomperz fazia esta pergunta como se o outro estivesse num exame e só existisse uma resposta certa. Até para as pessoas saudáveis era perturbante.
Mesmo para Theodor Busbeck - habituado aos labirintos mentais em que doente e médico por vezes entravam - aquela pergunta era inaceitável, ou pelo menos ameaçadora.
Em que deve pensar um homem? Para onde deve o homem dirigir o seu pensamento?

Gonçalo M. Tavares in Jerusalém.


Sem dúvida um livro perturbante e surpreendente. Obrigado Joana, pelo despertar da curiosidade.

Assíduos do shaker

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