11.16.2007

Child flame

"Nasci adulta e morrerei criança"

Augustina Bessa Luis



The Eyes of Truth
are always watching you
Alsyn Gazryn Zeregleenn
Aduu shig mal shig torolzonoo khuoo
In the distance the mirage stands out like horses and cattle.
Very glad to see my beloved son.
[Sandra's whispers]
Je me regarde
Je me sens
Je vois des enfants
Je suis enfant !
I look at myself
I feel myself
I see the children
I am a child!


Enigma

11.15.2007

Bússula

De todos os caminhos
De todos os destinos
De todos os encontros
De todos os desencontros

De todas as partidas
De todas as chegadas
De todas as pressas
De todas as esperas

De todos os ânimos
De todos os cansaços
De todos os sonhos
De todos os dogmas

De todas as dúvidas
De todas as certezas
De todas as fugas
De todas as descobertas

De todos os sorrisos
De todas as dores
De todos os dias
De todas as noites

De todos os voos
De todas as quedas
De todos os fósseis
De todas as pegadas

Apenas duas certezas
A terra será sempre redonda
E a minha bússola interior

11.14.2007

Degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo.


Mário Quintana

11.13.2007

Folha de Outono

De toda a beleza da vida
Escolhi a da folha
Para me despedir

No seu leve cair
Acenei ao luar
Pelo brilho dos dias

E pisquei o olho
Ao céu pelo pitéu
da chuva vadia

Nesse breve momento
Revivi árvore e semente
Desde o cume à raiz

Curiosamente
nada me ocorreu
do que fiz

Dos verdes campos
Às rugas de Outono
Apenas o teu desfolhar

Beijo a beijo
Folha a folha
Respirar

Naquela folha
a palma da tua mão
Aberta. Desperta

Textura de pele
e carícia num espinho
Frágil. Profundo

Folha caída assim me desfaço
E desfaleço neste manto
De Outono que guardei para ti

11.09.2007

Tentação

Olho-te
Encaro-te
Enfrento-te
Resisto-te

..........sempre em vão

Ilumina-me
Descobre-me
Relembra-me
Decifra-me

..........esta atracção

Desejo-te
Respiro-te
Amo-te
Odeio-te

..........brusca palpitação

Toma-me
Percorre-me
Acode-me
Consome-me

..........esta tentação

11.08.2007

Sympathy for the Devil




Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long years
Stole many a man's soul and faith

And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game

I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain

I rode a tank
Held a general's rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank

Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)

I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)

I shouted out,
"Who killed the Kennedys?"
When after all
It was you and me
(who who, who who)

Let me please introduce myself
I'm a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what's confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)

Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
'Cause I'm in need of some restraint
(who who, who who)

So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I'll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)

Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)

Tell me baby, what's my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what's my name
I tell you one time, you're to blame

Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah

What's my name
Tell me, baby, what's my name
Tell me, sweetie, what's my name

Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo


The Rolling Stones

11.07.2007

Ondas

Que
Eu tenha a perseverança da onda do mar,
Que faz de cada recuo um ponto de partida, para um novo avanço !


Gabriela Mistral


Pedido emprestado e amavelmente cedido para poder assinar por baixo.

11.06.2007

Aquela música

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.

Mário Quintana

11.05.2007

Ecos de água

Fecho os olhos num silêncio de concha vazia.
Um eco de gota sobre água parada percorre-me ondulante.
Escorrego lentamente por pedras polidas, cobertas de musgo.
Húmidas de cheiros e sal.
Visitam-me reflexos que se espantam em meu espelho de mar.
O meu destino é seguir a maré
Acordo cansada


11.04.2007

Nature's scream



Sometimes if we stay quiet and in silence we can ear the voice of nature whispering. Claiming for our nonsense’s.

11.03.2007

Rasto de luz




A cidade estava vazia. Magicamente vazia. Acordara com uma estranha sensação de silêncio total. Foi à janela e avistou a rua completamente despida. Deserta. Nem carros a circular, nem pessoas, nem mesmo os habituais gatos vadios que costumavam passear junto ao telheiro. Nada. Apenas as luzes e uma espécie de rasto, quase imperceptível, que acenava numa dança ténue e o convidava a descer.

Desceu as escadas e começou a seguir o rasto. Era uma espécie de névoa com brilho musical, que curiosamente desaparecia quando se tocava para voltar a aparecer de seguida.

A cidade, que tão bem conhecia, parecia agora diferente. Sem qualquer sinal de vida ao seu redor. Apenas objectos imóveis, outrora despercebidos, que pareciam querer contar-lhe séculos de existência, aborvidos ao longo do tempo.

Sentia-se o único ser no mundo. Como se todas as formas de vida tivessem escorrido por entre as frestas ressequidas da terra para que algo pudesse ser revelado. Ao passar a ponte, a brisa parou subitamente, sentindo-se ainda mais observado à medida que ia seguindo aquele misterioso rasto. Parecia que conseguia ouvir o barulho das luzes, cada vez mais intensas.

Apesar da situação, uma tranquilidade impossível apoderava-se dos seus sentidos numa enxurrada de pensamentos calmos. Ao fim da estrada, um pequeno vale ocultava um clarão de luz. Percebeu ser o final do rasto. Que segredo lhe estaria reservado?

11.02.2007

O limo da memória II

Tantas lágrimas ... tantas ... mas tão diferentes. Dantes, quando chorava, parecia-lhe que todas as lágrimas iam parar a um frasco cintilante e fundo, onde se transformavam em brilhantes, diamantes e pedras preciosas verdes, encarnadas, azuis, amarelas, brancas ... reflectindo tantas ou mais cores.

Apesar do sofrimento que lhes dava origem, parecia-lhe que nesse tempo ainda havia algo que as transformava em coisas belas, puras, coloridas, cheias de emoção e sentimentos, como se a sua fábrica de lágrimas conseguisse produzir algo. Agora ... era diferente ... agora parecia-lhe que as mesmas lágrimas eram vazias, sem sentido e ainda mais sofridas, por isso mesmo.

Olhou o limo, piscou os olhos involuntariamente, imitando o bater das pestanas douradas dele, como os apaixonados fazem inconscientemente quando se encontram frente a frente e perguntou-lhe: "Que hei-de fazer com as minhas lágrimas? Como te posso ajudar, se nem eu
sei já o que fazer delas?" E o limo respondeu-lhe numa voz doce e trémula, frágil mas esperançosa, estendendo o fino braço que se dobrou na sua direcção como a haste verde de
uma flor: "Oferece-mas. São como água para mim. Preciso delas para não murchar."

Puxou as mãos do limo, lentamente, na leveza duma carícia, juntando-as numa concha. Olhou-o profundamente nos olhos e ali permaneceu. O tempo dos seus olhos nos dele percorreram mares e desertos, silêncios e tempestades. Uma viagem a um mundo desconhecido mas com um caminho traçado. Como se sempre o tivesse conhecido. Parou num prado verdejante, cortado por um desfiladeiro enorme onde se sentia o vento nos cabelos. Ao olhar para baixo, penetrando na vertigem do espesso negrume, sentiu uma tristeza apoderar-se de si. Como uma hera a crescer, enrolando-se ao corpo. Uma tristeza inimaginável. Do mundo. Séculos de tristeza concentrada.

Não conseguiu aguentar mais tempo e libertou o olhar do limo em lágrimas. Espessas, percorrendo o rosto, corriam magneticamente atraídas para a concha formada pelas mãos do limo.


To be continued...


Em colaboração com Andrómeda

11.01.2007

"Queria só falar contigo". Só! Porque é que os seres humanos acham que falar com alguém é uma insignificância?

Miguel Esteves Cardoso

10.31.2007

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


Natália Correia

10.28.2007

Curva

"The curve is the nicest line from a point to another"


Mae West


Sempre soube curva a distância entre os nossos pontos. Que bom.


Continuação do post "Ponto final"

Assíduos do shaker

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